Aves da Europa migram para o norte em sinal de mudança climática

As aves vêm migrando cada vez mais para onorte da Europa nos últimos 25 anos, prenunciando dramáticasmudanças na abrangência de plantas e animais por causa doaquecimento global, disseram cientistas nesta quarta-feira. Um estudo com 42 espécies raras demonstrou que aves do suldo continente, como a felosa-do-mato (Sylvia undata), aescrevedeira-de-garganta-preta (Emberiza cirlus), agarça-branca-pequena (Egretta garzetta) e o rouxinol-bravo(Cettia cetti), se tornaram mais comuns na Grã-Bretanha noperíodo de 1980-2004. Já espécies normalmente encontradas no norte da Europa,como o tordo-zornal (Turdus pilaris), o tordo-ruivo (Turdusiliacus) e o mergulhão-de-pescoço-castanho (Podiceps auritus),se tornaram menos frequentes na Grã-Bretanha. "As espécies estão quase certamente reagindo à mudançaclimática", disse Brian Huntley, da Universidade Durham, numrelatório escrito com seus colegas da Universidade Cambridge eda Real Sociedade para a Proteção das Aves, publicado narevista Biology Letters. O estudo tentou descontar outros fatores que afetariam acontagem de aves raras, como o aumento do interesse dapopulação, que levaria a mais relatos sobre a presença dosanimais. Mudanças na agricultura, a poluição, a expansão urbanae as medidas de conservação também afetam a presença da vidaselvagem. Aves e borboletas se adaptam primeiro às mudançasclimáticas, porque podem voar longas distâncias em busca dehabitats mais frescos. Outras criaturas e plantas levam maistempo para se deslocar. "Depende da mobilidade das espécies. Aves e borboletas sãodois dos grupos em que há mais pistas de que as espécies jáestão mostrando reações à mudança climática", disse Huntley àReuters. Os cientistas já suspeitavam que haveria essa mudança naabrangência das aves devido ao aquecimento global, atribuídopor cientistas da ONU principalmente a causas humanas. "Isso nos dá maior confiança nos modelos climáticos queusamos para outros grupos de espécies -- borboletas, plantas,répteis e anfíbios", disse Huntley. "Raramente temos a oportunidade de testar esse tipo demodelo. Só podemos esperar cerca de 50 anos para ver seestávamos corretos. É melhor ter dados históricos como base decomparação", afirmou.

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