Autoridades russas queriam proibir conversa em português, diz mãe de ativista presa

Ana Paula Maciel conversou pela primeira vez com a família desde a prisão

Lucas Azevedo, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2013 | 10h54

PORTO ALEGRE - A bióloga brasileira Ana Paula Maciel falou pela primeira vez coma mãe, nesta quinta-feira, depois de ser presa na Rússia. A gaúcha foi detida durante um protesto do Greenpeace no Oceano Ártico, quando um grupo de 30 ativistas tentava ingressar em uma plataforma de petróleo, no dia 19 de setembro. As autoridades locais estavam impedindo o contato, que deveria ser feito apenas em inglês. "Foi um alívio ouvir a voz dela", comentou a mãe da bióloga, a motorista de van escolar Rosângela Maciel. A conversa durou cerca de cinco minutos, por volta das 9 h desta quinta. Ana Paula disse estar sendo bem tratada e se surpreendeu com os relatos de que sua prisão tomou dimensão mundial.

A conversa só ocorreu depois que o consulado brasileiro e os advogados do Greenpeace tiveram que intervir junto à autoridade russa, já que a administração da penitenciária na cidade de Murmansk, onde está ativista, não estavam permitindo que ela falasse com a mãe em português, apenas em inglês.

"Ela falou o mesmo conteúdo que escreveu nas cartas. Que está bem, que recebe todo o apoio do Greenpeace e da embaixada, e que acredita num desfecho bom para tudo isso", comentou Rosângela.

No início da semana, a mãe recebeu duas cartas de Ana Paula, uma escrita em 27 de setembro e outra em 2 de outubro. As correspondência chegaram no mesmo dia, através de emissários. A bióloga disse estar sendo bem tratada na penitenciária para a qual foi mandada, onde ocupa sozinha uma cela e que pode fumar. "O que é bom, porque não preciso me preocupar com companheiras de cela que fizeram sei lá o que para acabar aqui", escreveu em 2 de outubro.

No dia 27 de setembro, antes de ser transferida para a penitenciária na qual está, a brasileira escreveu que os ativistas presos estavam usando o bom humor para passar o tempo. "A Rússia está muito braba conosco. Na pior das hipóteses nos vemos em 2030!" Apesar de brincadeiras, Ana Paula parecia tensa. "Tenho rezado bastante, mas as coisas aqui não parecem brilhar muito para o nosso julgamento."

Sobre a acusação da polícia russa de que foram encontradas drogas a bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, Rosângela explica que foram apreendidos medicamentos utilizados pela tripulação.  "A assessora do Greenpeace que está em contato comigo diariamente me avisou sobre isso antes que essa informação fosse divulgada. O navio já havia sido vistoriado em um porto na Noruega por cães farejadores. Por isso não existe essa hipótese de existir drogas ilícitas dentro da embarcação. O que tinha eram medicamentos em um armário com analgésicos, antibióticos e morfina sob cuidados do médico do grupo."


Em relação ao apoio da presidente Dilma Rousseff, que determinou ao Ministério das Relações Exteriores que dê toda assistência à bióloga, a mãe de Ana Paula Rosângela afirma que se sentiu aliviada. "Só faltava ela se manifestar. Agora temos todo apoio que estávamos precisando. Não vou dizer que estou tranquila, mas já me deu um alento."

No dia 24 de novembro a Justiça russa avalia a ação dos ativistas presos para, então, julgá-los ou não. Até lá, eles permanecem presos "para averiguação".

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