Austrália quer preço fixo para a tonelada de CO2

Apoiada pelo governo, proposta de analista climático fixaria valor do carbono até a consolidação do mercado

Reuters,

18 de março de 2011 | 19h02

Nesta quinta-feira, o principal assessor para o clima da Austrália pediu ao governo a definição um preço fixo para o carbono entre AU$ 20 e AU$ 30 (praticamente US$ 20 e US$ 30) por tonelada a partir de meados de 2012, levantando preocupações entre o setor industrial sobre os custos da poluição, mas com apoio de grupos ambientalistas.

 

O preço do carbono proposto pelo economista Ross Garnaut está em linha com a indústria de mineração. Segundo previsões de analistas, o valor aumentaria em 4% até o estabelecimento de um mercado de carbono regulamentado a partir de meados de 2015, que tornaria o preço do carbono novamente variável.

 

"Um preço fixo vai aumentar a confiança na transição, e permitir o movimento rápido e suave para um preço variável, quando chegar a hora certa ", disse Garnaut em relatório sobre mudanças climáticas do governo, atualizado neste ano. Um comitê multipartidário para o clima se reúne na sexta-feira para definir se vai estipular ou não o valor.

 

A Austrália, grande exportadora de carvão, é responsável por cerca de 1,5% das emissões globais, mas é um dos mais altos poluidores per capita do mundo desenvolvido, devido a uma grande dependência por termelétricas: 80% da eletricidade doméstica vem do carvão.

 

Promessa. A primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, prometeu cortar as emissões de carbono em 5% até 2020 (com base nos dados de 2000), como parte dos esforços australianos para conter o aquecimento global.

 

No relatório econômico que propõe a fixação do valor do carbono elaborado para a indústria de mineração da Austrália, Garnaut afirma que, para atingir este objetivo, o preço do carbono ainda teria que saltar 118% da fiação do preço até o início do mercado de carbono regulamentado em 2015 - de cerca de US$ 22 a US$ 50.

 

O Australian Industry Group, que representa fabricantes, afirma ter várias preocupações com as propostas de Garnaut, no que diz respeito aos impactos sobre comércios e indústrias menores, e que não são grandes poluidoras.

 

"As indústrias levadas em consideração são de metais, processadores de alimentos, etc. Empresas relacionadas à indústria química e ao plástico, por exemplo, teriam a posição competitiva significativamente reduzida pelo preço do carbono ", disse o chefe do grupo, o executivo AI Heather Ridout.

 

O governo disse que apoia o relatório de Garnaut e pretende estipular preço fixo do carbono provisoriamente, seguido de um regime de comércio de emissões, mas a oposição conservadora usou o relatório para intensificar o ataque às políticas climáticas do governo.

 

"Esse imposto sobre o carbono não vai limpar o ambiente. Ele vai limpar sua carteira e vai acabar com a geração de empregos significativamente na Austrália", disse o lider da oposição Tony Abbott a repórteres.

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