Austrália deve aumentar gasolina contra aquecimento

Rascunho de relatório de economista também apresenta plano para mercado de créditos de carbono

AP

04 Julho 2008 | 20h56

A Austrália deveria seguir o conselho que está sendo dado para os países em desenvolvimento aumentando os preços da gasolina para ajudar a diminuir as emissões de gases carbono, culpados pela mudança climática, disse o conselheiro do governo nesta sexta-feira, 4.  O primeiro ministro Kevin Rudd quer desenvolver um esquema de venda de créditos de carbono até 2010, desenvolvido para dar um incentivo financeiro para as empresas mais 'verdes'. A preocupação geral tem se concentrado no impacto de tal esquema nos preços da gasolina, que já batem recordes e estão constantemente aumentando a inflação.  Rudd reconheceu que os preços dos combustíveis vão subir sob tal esquema mas se recusou a dizer se o seu governo vai fazer algo especial quanto à gasolina.  No entanto, Ross Garnaut, um economista contratado pelo governo para investigar como a Austrália deveria responder à mudança climática, entregou o rascunho de um relatório de 548 páginas nesta sexta-feira, 4, recomendando que a gasolina seja incluída no plano de troca de créditos d carbono.  Seu relatório recomendou que o governo venda um número limitado de permissões para poluir. As permissões poderiam então ser vendidas por empresas 'verdes' para aquelas mais poluentes.  Garnaut rejeitou o meio termo considerado pelo governo de se estabelecer uma taxa de carbono para a gasolina ao mesmo tempo que se reduz pela mesma quantia os impostos sobre o combustível, de maneira que os preços permaneçam estáveis.  "Se você está simultaneamente reduzindo impostos, então vocês está passando uma mensagem esquisita pois o objetivo seria encorajar as pessoas a economizarem em atividades onerosas para o meio ambiente", disse o especialista ao National Press Club. Garnaut disse que a Austrália, como um dos 30 países da OECD, pediu para que países como a China, Índia e Indonésia parassem de controlar o preço do combustível doméstico. "Nós estamos dizendo para eles, diretamente: vocês ficariam bem e o mundo melhor se deixassem os preços da gasolina aumentarem", disse. "Se nós estamos mascarando o efeito nós mesmos, isso enfraquece a mensagem." A ministra da Mudança Climática, Penny Wong, disse que a visão de Garnaut "vai ser levada em consideração" na elaboração do esquema de troca de créditos de carbono, mas não falou sobre o risco para a gasolina. Mas os partidos da oposição, liberal e nacional, que formaram a coalizão do governo até o ano passado, sinalizaram que vão se opor à qualquer legislação que aumente os preços da gasolina. Em seu relatório final, em setembro, Garnaut vai recomendar um preço para a permissão da tonelada de poluição.

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