Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

Ausência de presidentes em Manaus constrange Lula

Apenas 1 dos 8 chefes de Estado da região esteve na reunião sobre ambiente; presidente francês compareceu

Lisandra Paraguassú e Denise Chrispim Marin, Enviadas especiais

27 Novembro 2009 | 11h10

A ausência de sete dos oito presidentes amazônicos convidados para o encontro de Manaus irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na opinião do governo, a atitude revela o interesse nulo que há na região pelo tema das mudanças climáticas. A intenção era acertar uma posição comum sobre o tema e, principalmente, as compensações para se evitar o desmatamento da floresta, para levar uma posição comum para a COP-15. O texto ainda sairá, mas a omissão dos presidentes mostra que a força do que será dito é pouca.

 

“É evidente que diminuiu a importância (do encontro)", reconheceu Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais. “Mas não tira a força porque as pessoas que estão aqui falam em nome de seus governos.”

 

Apesar de o Brasil não precisar de apoio da região para defender suas posições em Copenhague, a vasta ausência – apenas Bharrat Jagdeo, da Guiana, decidiu comparecer – deixou Lula em situação constrangedora. Pessoalmente interessado em levar a voz da Amazônia para Copenhague, o presidente se empenhou em convidar pessoalmente seus colegas, incluindo o outro chefe de Estado presente, o francês Nicolas Sarkozy.

 

Na abertura da reunião da tarde, que deverias ser de cúpula, Lula ainda teve de explicar a ausência de seus colegas. Começou agradecendo a participação de Sarkozy e Jagdeo, mas a lista de escusas foi bem maior.

 

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, considerou o alto índice de ausências normal. “Aproveitamos uma data que o presidente vinha a Manaus para marcar a cúpula. Era a única data possível antes de Copenhague”, disse. “Até ontem Álvaro Uribe (Colômbia) e Hugo Chávez (Venezuela) vinham. Como a gente podia esperar que o Uribe ia cair do cavalo na sua fazenda?”

 

A desculpa do presidente colombiano foi um machucado na perna, resultado da queda. Seu médico o teria aconselhado a não viajar pelo risco de uma embolia. Chávez alegou que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, teria estendido sua visita a Venezuela – na verdade ele foi embora na manhã de ontem – e que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, chegaria durante a tarde ao País.

 

Evo Morales disse não querer se ausentar por conta das eleições; Rafael Correa (Equador), está na Bélgica; Alan Garcia (Peru) e Ronald Venetiaan (Suriname) alegaram problemas de agenda. Ao final, até a foto oficial foi cancelada.

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