Aumento de metano no Ártico dá pistas sobre aquecimento global

As emissões de um potente gás-estufa no Ártico aumentaram 30 por cento nos últimos anos, em um indicativo preocupante de que o aquecimento global pode destravar grandes depósitos congelados no permafrost, afirmaram cientistas na sexta-feira.

ALISTER DOYLE, REUTERS

15 Janeiro 2010 | 15h10

"É muito cedo para chamar isso de tendência, mas se continuar dessa forma haverá implicações sérias", disse o cientista Paul Palmer, da Universidade de Edimburgo, que está entre os autores do estudo sobre emissões de metano provenientes das áreas pantanosas.

O aumento de 30,6 por cento nas emissões do Ártico de 2003 a 2007, para cerca de 4,2 milhões de toneladas, foi o maior ganho percentual de todas as regiões pantanosas do mundo avaliadas no estudo publicado na revista Science.

As terras úmidas do Ártico são responsáveis por apenas 2 por cento das emissões globais oriundas das zonas pantanosas, cuja maior parte se encontra nos trópicos. Muitos especialistas, entretanto, apontaram para os riscos de a mudança climática derreter depósitos de bilhões de toneladas de metano do permafrost, pois é um gás do efeito estufa mais potente que o dióxido de carbono.

"Esse é um alerta que os cientistas vêm dando há algum tempo - o que estamos observando são sinais do aquecimento global", disse Palmer à Reuters sobre o estudo. A maioria dos pantanais do Ártico está na Sibéria e no norte do Canadá.

Dos gases-estufa oriundos de atividades humanas, o metano é o que mais contribui para o aquecimento global, depois do dióxido de carbono. Os cientistas calcularam as emissões fazendo uma correspondência entre observações de satélite e uma análise das temperaturas da superfície.

As temperaturas do Ártico estão subindo muito mais rápido do que a média global por causa do aquecimento terrestre, atribuído principalmente às emissões provenientes dos combustíveis fósseis. Um recuo do gelo do mar e da cobertura de neve expõe as águas ou o solo mais escuros, o que aumenta ainda mais o calor.

"É essencial que compreendamos a extensão da sobreposição entre as terras úmidas e as regiões mais sensíveis ao aquecimento futuro projetado", escreveram os pesquisadores.

Palmer afirmou que são necessários mais anos de informações para verificar se o aumento do metano no Ártico é o início de uma tendência ou apenas um episódio secundário. Um problema é que os satélites atuais serão desativados nos próximos anos.

As emissões oriundas dos pantanais são responsáveis por um terço das emissões globais de metano, que totalizam 540 milhões de toneladas, afirmou Palmar. Outras fontes importantes são os combustíveis fósseis, as criações de gado e os arrozais.

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