Ativistas pedem restrições à navegação na Antártida

ONG diz que navios de turismo são inadequados para águas congeladas da região.

Richard Black, BBC

31 de março de 2008 | 08h35

Ativistas ambientais preocupados com a proteção do ecossistema da Antártida pediram mais restrições a navios que viajam pela região.Os ativistas da ONG Antartic and Southern Ocean Coalition (ASOC) encaminharam um documento à Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), que estão reunidos em um encontro em Londres até sexta-feira, pedindo que navios que usam óleo pesado como combustível sejam banidos das águas do continente antártico.O grupo quer ainda mais restrições no despejo de esgoto e resíduos das embarcações e que todos os navios que viajam pela região sejam obrigados a estar equipados para enfrentar as condições congeladas das águas da Antártida. A ONG afirma que grande parte das embarcações que transportam os turistas para a região não são reforçadas e preparadas para enfrentar as condições geladas do continente antártico. Segundo a ONG, as embarcações inadequadas para as águas congeladas aumentam as chances de acidentes que acabam derramando óleo no oceano e contaminando o ecossistema da região.A ASOC preparou um documento no qual registrou seis incidentes na região ocorridos em pouco mais de um ano e que causaram um grande risco de contaminação ao ecossistema da região. Entre os casos citados, estava o do naufrágio do cruzeiro M/S Explorer, em novembro de 2007, navio que transportava 154 turistas - que foram salvos graças a uma grande operação internacional.De acordo com a Associação de Operadoras de Turismo da Antártida, cerca de 38 mil turistas visitaram a região entre 2006 e 2007 e a maioria chegou ao continente de navio. "A IMO é a única organização que pode concordar em limitar os padrões de embarcações, equipamentos e procedimentos para proteger a vida humana e o ambiente marítimo para todos os navios que navegam pelas águas da Antártida", disse o diretor da ASOC, James Barnes. ContaminaçãoA Antártida abriga espécies diversas de pingüins e é uma base importante para outras criaturas do mar, como as focas, além de um importante local de alimentação para baleias. "Você não encontra a abundância de vida selvagem em um ambiente não modificado em nenhum outro lugar do mundo", disse o biólogo Vassili Papastavrou, do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (Ifaw, na sigla em inglês), que apóia o pedido da ASOC. Segundo John Shears, chefe do Departamento de Ambiente e Informação da British Antarctic Survey (BAS), que monitora a região, as restrições sobre as embarcações teria um impacto nas empresas de turismo que operam na região. "A proibição nas embarcações que usam óleo pesado certamente afetaria alguns navios grandes de cruzeiro", disse Shears à BBC. Ele explica os navios usados nas pesquisas da BAS são reforçados para as águas congeladas e usam gás marinho. Segundo ele, o combustível é como o diesel - quando derramado, se evapora e dispersa rapidamente no oceano. "O derramamento de óleo pesado tem um impacto mais forte no ambiente porque o combustível se funde à água gelada e é muito persistente, o que torna a limpeza extremamente difícil", afirmou Shears.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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