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Ativistas fazem 'vaquinha' para dar lar a 34 bois resgatados de maus tratos

Animais, submetidos a condições precárias de alimentação e cuidados, foram retirados de propriedade em Santa Catarina

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2016 | 17h28

SOROCABA - Ativistas buscam lares definitivos para 34 bois resgatados de um pasto onde sofriam maus tratos, no bairro Forquilha do Alto, em São José, na Grande Florianópolis (SC). Os animais foram retirados da propriedade após liminar dada pela Justiça, no dia 27 de outubro último, e levados para uma fazenda, em Biguaçu, na mesma região. Esse foi o segundo maior resgate de animais destinados a abate no País e o primeiro realizado com autorização judicial.

A operação 'Bois de Forquilhas', que já rendeu um documentário, está agora na fase de arrecadação de recursos para manter os bois e custear o transporte para santuários que estão sendo selecionados. Os bovinos já tiveram a guia de trânsito animal, documento necessário para o transporte, autorizada pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola da Santa Catarina (Cidasc). Os ativistas calculam o custo da logística em cerca de R$ 100 mil.

A base do cálculo foram os R$ 5 mil gastos para transportar um único bovino, o boi Agenor, que seria usado na "farra do boi", tradição proibida em Santa Catarina, e que foi resgatado e levado para o Santuário Vale da Rainha, em Minas Gerais, no início deste ano. O dinheiro foi arrecadado por meio de uma "vaquinha" virtual.

O resgate dos bois de Forquilha foi planejado por um grupo de defensores dos animais depois que imagens de bovinos morrendo no pasto por falta de alimentação e cuidados foram parar nas redes sociais. Fiscais da Cidasc e da Polícia Ambiental estiveram na propriedade de São José e chegaram a notificar o proprietário, mas os ativistas decidiram não esperar as providências.

A advogada Barbara Hartmann Cardoso entrou com ação e, com aval do Ministério Público, obteve uma liminar para remover o gado. O grupo de ativistas conseguiu caminhões e mão de obra voluntária para o resgate. "Vimos lá uma situação horrível, com vários animais mortos e carcaças sendo devoradas por urubus que atacavam até vacas vivas", relata Mônica Probst, ativista que se deslocou de Blumenau, no Vale do Itajaí, para auxiliar no resgate.

O grupo, agora, se reveza nos tratos e cuidados com os animais na fazenda alugada até que ganhem um lar definitivo. O custo com alimentação, que inclui ração, alfafa e sais minerais, fica em torno de R$ 20 mil mensais. "Por terem ficado muito desnutridos, os bezerros ainda tomam mamadeira, já que o leite de suas mães não é suficiente para seu sustento. Para mantermos os animais, temos uma 'vakinha online', onde a população nos ajuda na arrecadação de verba", diz a ativista Janine Koneski de Abreu.

A página 'Bois de Forquilha - São José' no Facebook ganhou uma legião de seguidores e traz informações sobre a forma de contribuição. O dono dos animais responde a processo por maus-tratos e pode ser condenado a pena de detenção e multa. Procurado pela reportagem, ele não deu retorno.

Porcos. O primeiro grande resgate de animais para abate aconteceu em agosto de 2015, quando um caminhão com 110 porcos tombou no Rodoanel Mário Covas, próximo da capital paulista. Muitos suínos morreram, mas 60 foram levados para o Santuário Terra dos Bichos, em São Roque, onde houve reprodução e o número já aumentou para 84 animais. 

 

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