Max Rossi/Reuters
Max Rossi/Reuters

Ativistas e ONU comemoram encíclica do papa sobre clima

Secretária da Nações Unidas diz que documento é um grande ímpeto para acordo na cúpula climática em Paris, no fim do ano

O Estado de S. Paulo

18 Junho 2015 | 15h05

CIDADE DO VATICANO - O apelo do papa Francisco para salvar o planeta recebeu elogios de ativistas contra a mudança climática, de cientistas e da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira, 18, por ser um imperativo moral para que os governos façam de 2015 um divisor de águas nos esforços para frear o aquecimento global. 

O papa Francisco exigiu ações rápidas para deter o que vê como uma ruína ambiental iminente, e exortou os líderes mundiais a ouvirem “o grito da terra e o grito dos pobres”. 

Na primeira encíclica, ou documento papal, dedicada ao meio ambiente, ele pediu uma “ação decisiva, aqui e agora”, para acabar com a degradação ambiental e o aquecimento global, apoiando explicitamente os cientistas que afirmam que este último é causado essencialmente pelo homem. 

Ativistas e cientistas comemoraram a intervenção do papa por trazer um elemento moral para a controvérsia política em torno da mudança climática, que alguns políticos conservadores e executivos - em especial nos Estados Unidos - duvidam ser resultado da atividade humana.

“A mudança climática não é mais só um tema científico; é cada vez mais um tema moral e ético”, afirmou Yolanda Kakabadse, presidente do grupo internacional de conservação ambiental WWF (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza). “Ela afeta as vidas, o sustento e os direitos de cada um, especialmente dos pobres, dos marginalizados e das comunidades mais vulneráveis.” 

Christiana Figueres, secretária-geral do Secretariado da Mudança Climática da ONU, disse que a encíclica representa um grande ímpeto para que os governos concordem com um pacto vigoroso quando se reunirem para a cúpula climática da ONU em Paris, no fim do ano.

“Este clamor deveria guiar o mundo rumo a um acordo climático universal forte e duradouro em Paris no final do ano”, disse Christiana. 

Quase todos os especialistas em emissões de gases de efeito estufa criados pelo homem culpam o aquecimento global pelo aumento das ondas de calor, as chuvas intensas e o aumento do nível dos mares. 

“O Vaticano avaliou os indícios científicos da mudança climática e decidiu que o mundo precisa agir para evitar a devastação do ecossistema que sustenta nossa vida”, disse Mark Maslin, professor de climatologia da Universidade College de Londres.

Leia em português a íntegra da encíclica:

Mais conteúdo sobre:
Papa FranciscoIgreja Católica

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.