EFE
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Ativista do Greenpeace acusa governo dinamarquês

"Nos trataram como cachorros", diz Juan López de Uralde, preso em Copenhague desde o dia 17

AFP e EFE

04 Janeiro 2010 | 19h23

Preso em Copenhague desde a cúpula do clima da ONU, o diretor do Greenpeace Juan López de Uralde afirmou ontem que ele e outros três ativistas do grupo estão sendo "humilhados e tratados como cachorros" pelo governo dinamarquês. A informação é da esposa de Uralde, Koro Castellano, que deu entrevista ao jornal espanhol El Mundo logo após visitar o marido na prisão.

 

Além de Uralde, que é diretor do grupo na Espanha, também estão detidos o ativista suíço Christian Schmutz, a norueguesa Nora Christiansen e o holandês Joris Thijssen.

 

Eles são acusados de falsificação de documentos e distúrbio à ordem pública, por terem entrado, em 17 de dezembro, no Palácio Real durante um jantar oferecido pela rainha da Dinamarca aos líderes mundiais.

 

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O Greenpeace informou que a visita da esposa de Uralde ocorreu sob um forte esquema de segurança, com a presença da polícia e do cônsul espanhol em Copenhague. O ativista relatou à Koro "as condições duras e desproporcionais" do dia de sua prisão, quando ele e outras 60 pessoas passaram 24 horas em uma sala com apenas alguns colchonetes. 

 

O departamento jurídico do Greenpeace havia informado que está estudando entrar com um processo contra o governo dinamarquês, que pode ter violado os direitos humanos durante a cúpula do clima em Copenhague (COP-15) ao prender os ativsitas.

 

Kumi Naidoo, diretor do grupo, está fazendo um giro por dezenas de países, pressionando líderes pela libertação dos quatro. Ele explicou que um mês antes do início da conferência, o Executivo da Dinamarca ampliou as competências da polícia, aumentou as penas de detenção e endureceu a lesgislação para aplicar prisões preventivas contra os manifestantes.

 

Diante dessa nova legislação, a COP-15 terminou com milhares de detenções - entre elas a do diretor do Greenpeace da Espanha, Juan López de Uralde, e de outros três ativistas do grupo. Os quatro permanecem em detenção preventiva desde 17 de dezembro,

O Greenpeace espera que o governo dinamarquês liberte os quatro - ou determine a data do julgamento - na quinta-feira, quando se encerra a investigação policial sobre as acuações que pesam contra eles.

 

Para Naidoo, a prisão dos quatro é um "atentado contra os direitos humanos e um ato desproporcional, injusto e desnecessário". Ele disse que houve ainda uma "total falta de compaixão", já que os ativistas passaram o Natal longe de suas famílias.

 

"A ação dos nossos colegas foi um ato de moralidade diante da imoralidade dos líderes mundiais que, nos dias finais da conferência não haviam chegado a um acordo e estavam jogando pôquer com o futuro do nosso planeta e das próximas gerações", disse Naidoo.

 

Ativistas e simpatizantes do Greenpeace fizeram um protesto nesta terça-feira diante da Embaixada da Dinamarca em Madri e estão organizando vigílias em diversos consulados dinamarquesas na Espanha.

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