Evgeny Feldman/AP
Evgeny Feldman/AP

Ativista brasileira ganha liberdade provisória na Rússia

Bióloga gaúcha foi a quarta pessoa e a primeira não russa a receber o benefício sob fiança, segundo o Greenpeace; acusações, no entanto, não foram retiradas

O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2013 | 08h48

A ativista do Greenpeace Ana Paula Maciel deverá ser solta após o pagamento de fiança de 2 milhões de rubros (R$ 138 mil). A decisão foi tomada nessa terça-feira, 19, pela Justiça russa, às vésperas da primeira visita do chanceler Luiz Alberto Figueiredo a Moscou. A brasileira pode ser libertada nesta quarta ou quinta, mas não deverá deixar a Rússia enquanto o processo estiver correndo. Dos 30 ativistas detidos, 9 serão soltos sob fiança.

Ana Paula foi presa com um grupo do Greenpeace, depois que os 30 integrantes tentaram escalar uma plataforma de petróleo para impedir a exploração no Ártico. Inicialmente, o grupo foi acusado de pirataria e vandalismo, o que poderia levar a penas que ultrapassam 20 anos de cadeia. Há duas semanas, as acusações de pirataria foram retiradas. Ainda assim, Ana Paula ainda pode ser condenada a 7 anos em regime fechado.

A situação da brasileira será um dos principais temas do encontro entre Figueiredo e o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, que ocorre hoje em São Petersburgo. Os dois já haviam conversado logo depois da prisão de Ana Paula, por ordem da presidente Dilma Rousseff, que cobrou empenho do Itamaraty no caso.

A presidente ainda comemorou ontem no Twitter. "Fiquei feliz com a notícia de que a bióloga brasileira Ana Paula Maciel possa, mediante fiança, responder em liberdade ao seu processo na Justiça da Rússia."

A ativista está presa em São Petersburgo. Diplomatas da embaixada em Moscou têm acompanhado todas as audiências, mas não sabem se ela poderá receber visitas. Agora, Figueiredo deve repetir o pedido para que a brasileira seja solta. No entanto, o governo russo parece estar empenhado em fazer do caso um exemplo de rigidez no tratamento de ambientalistas.

Família aliviada. Despertada por telefonemas de amigos e jornalistas, a família da bióloga brasileira viveu um dia de alívio em Porto Alegre. "Quando ela fica longe, em suas atividades, sabemos que está fazendo o que gosta, com amigos, mas desde a prisão vivíamos uma angústia diária", revelou a sobrinha Alessandra, de 18 anos. "Agora estamos felizes porque, mesmo que tenha de ficar lá, será em liberdade e não em uma prisão."

Ana Paula ainda não poderá voltar à casa onde mora com a mãe, a motorista de transporte escolar Rosângela, de 56 anos, a irmã Telma (representante comercial) e a sobrinha Alessandra (estudante). A família passou o dia recebendo informações do Greenpeace, que pagará a fiança de R$ 140 mil, assim como as passagens para Rosângela e Alessandra viajarem à Rússia para um encontro com Ana Paula, provavelmente no próximo fim de semana.

Enquanto espera pela organização da viagem e pelo encontro com a filha, a motorista conforma-se com a perspectiva de não vê-la voltar para casa imediatamente. "Fiquei feliz, pelo menos ela não está presa em uma cela. Mas feliz mesmo eu estaria se ela estivesse voltando para o Brasil", disse Rosângela. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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