Aterros sanitários dos EUA produzem combustível do lixo

Desde novembro, metano gerado na decomposição de detritos é transformado em gás natural liquefeito

Jason Dearen, da Associated Press

05 Janeiro 2010 | 14h53

Centenas de caminhões de lixo em todo o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, estão se deslocando pelas ruas das cidades usando um combustível limpo feito de uma fonte suja: o lixo. O combustível é derivado de lixo que residentes e empresas de San Francisco e Oakland têm despejado no aterro de Altamont desde 1980.

Desde novembro, o gás metano gerado a partir da decomposição de detritos em 96 hectares de aterro é sugado para tubos e enviado para uma máquina inovadora que purifica o lixo e transforma-o em gás natural liquefeito. Quase 500 caminhões de lixo e reciclagem da empresa Waste Management são executados com esta nova fonte de combustível ecológico em vez de diesel. 

 

Em um estado que aprovou as metas de redução de gases de efeito estufa mais rigorosas dos Estados Unidos, os benefícios às mudanças climáticas  desta planta são dois - o metano da pilha de lixo é capturado antes de entrar no ambiente e o uso do combustível produz menos dióxido de carbono do que a gasolina convencional. 

 

"Nós construímos o maior aterro de GNL no mundo; esta planta produz 49.400 litros por dia de GNL",

disse a gerente Jessica Jones, gerente de aterros da Waste Management em Houston. "Vai retirar 30.000 toneladas de CO2 por ano do meio ambiente." 

 

Altamont é um dos dois aterros da Califórnia que produzem GNL; o outro é um aterro menor a cerca de 65 quilômetros ao sul de Los Angeles. Outras instalações de gás natural estão sendo planejadas pela Waste Management em alguns dos 270 aterros sanitários ativos por todo o país, e esse número pode crescer rapidamente na medida em que as comunidades procurarem formas para reduzir a poluição causada por gases de efeito estufa. 

 

Em 2009, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) contou 517 projetos de energia em aterros sanitários ativos nos cerca de 1.800 aterros municipais em operação no país.

 

Os aterros têm abundância de ingredientes para a produção de metano. As bactérias decompõe os restos de comida, papel, vegetais e resíduos orgânicos despejados lá. Com o tempo, esses materiais fermentam, liberando metano e outros gases. Cerca de 50% do gás emitido de aterros sanitários é o metano. É 21 vezes mais eficaz do que o CO2 na retenção do calor na atmosfera, de acordo com a EPA. 

 

"O metano é o gás de efeito estufa mais importante depois do dióxido de carbono", disse o gerente do programa de obtenção de metano em aterros da EPA em Washington, Tom Frankiewicz. "O metano também é o principal componente do gás natural, por isso, ao fazer a captação e utilização do metano como fonte de energia, você recebe um retorno ainda maior para os investimentos." 

 

No aterro de Altamont, gaivotas pairam sobre o extenso complexo, situado entre colinas verdes e parques eólicos cerca de 80 quilômetros a leste de San Francisco. Pontilhados em toda a instalação existem mais de 100 poços com tubos pretos que retiram o metano a vácuo a partir da pilha de lixo. O GNL é então bombeado para os caminhões de lixo e reciclagem em uma empresa de abastecimento da estação, em Oakland, enquanto em outras partes da Califórnia os veículos obtêm o gás em postos especialmente equipados. 

 

A idéia de transformar lixo em energia limpa não é um nova - o terreno em Altamont teve uma usina de energia elétrica abastecida por metano instalada em 1989 que pode alimentar 8.000 casas por dia. Centenas de outros aterros nos Estados Unidos também usam metano captado de aterros de lixo para projetos de energia elétrica. 

 

Em 2005, o último ano que tem dados disponíveis, os projetos de energia usando o metano de aterros constituíam  10,8% da produção de energia renovável no país, não incluindo a energia hidrelétrica, segundo a EPA. 

 

Dado os seus impactos sobre os gases de efeito estufa, quatro agências estaduais de meio ambiente contribuíram com subsídios para ajudar a construir a planta de Altamont, com 15,5 milhões de dólares. Mike Beckman, do Grupo Linde América do Norte, empresa que construiu e administra a fábrica de gás natural, disse que a planta deve continuar a produzir combustível nos próximos 20 anos ou mais. 

 

Isso faz da recente planta de Altamont potencialmente rentável, uma vez que o gás é vendido para o orgão americano de gestão de resíduos e para outros clientes. 

 

Mas, para muitos que podem querer usar a tecnologia, o custo de purificação do metano em gás natural liquefeito utilizável pode ser uma barreira difícil. Os 15,5 milhões dólares necessários para construir a instalação de GNL de Altamont são muito mais do que os custos para construir a planta de uma pequena usina elétrica. 

 

"Há um interesse crescente, mas como a remoção de impurezas a partir do metano está muito cara, por enquanto só é rentável em aterros maiores, onde você extrai bastante gás", disse Frankiewicz. "Com a economia de hoje, estes projetos só acontecem nos maiores territórios dos Estados Unidos, mas o pensamento é de que, assim que a tecnologia se tornar mais barata, isso mude."

 

(Com a colaboração de Terence Chea, da AP)

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