Asfalto na Floresta: BBC Brasil percorre a BR-319 na Amazônia

Para moradora, a 100km de Humaitá, a reabertura da estrada traria clientes para o hotel que tenta construir.

BBC Brasil, BBC

29 Outubro 2009 | 11h15

Da estrada - se é que se pode chamar assim o trecho da BR-319 em frente à Vila Realidade, a 100 quilômetros de Humaitá - pode-se ver a placa de madeira pintada à mão em frente a uma casa de alvenaria em construção que diz: "Breve hotel e".

No galpão aberto ao lado, uma outra placa pintada à mão complementa a informação e não deixa dúvidas: "Restaurante, serve-se comida".

O estabelecimento pertence a Edith Alves Pantoja, que mora no Realidade desde fevereiro, com o marido e quatro filhos.

A obra do hotel, que um dia deve chegar a ter dez quartos, está parada por falta de dinheiro. Isso não chega a surpreender.

O movimento nesta altura da BR-319 é mínimo. Dona Edith se vira fazendo pão para outros moradores - "10, 12 por dia" - e comida para os raros visitantes.

"Se a pessoa esperar a gente faz uma comida. Não que eu faça comida e fique esperando, não."

Tudo pode mudar com a reabertura da BR-319.

Para quem segue rumo a Manaus, o Realidade é o último vilarejo digno de menção antes de um trecho de 400 quilômetros, praticamente desertos, com a exceção de alguns moradores isolados.

Os olhos de dona Edith brilham quando ela fala da possibilidade do recapeamento da rodovia.

"Podia abrir a BR para poder passar gente por aqui. Mas se não abrir, sempre tem um ou outro que vai precisar dormir aqui", afirma.

A obra do único hotel da Vila Realidade começou em dezembro e não tem data para acabar.

Atualmente, o marido de dona Edith trabalha em Humaitá, a cerca de 2h30m de ônibus, durante a semana para juntar o dinheiro necessário para concluir a obra.

"Quem sabe em três anos", sonha dona Edith. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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