Ártico esquenta enquanto hemisfério norte segue congelando

O estranho padrão atmosférico é causado por uma variabilidade natural, não pelo aquecimento global

DEBORAH ZABARENKO, REUTERS

12 Janeiro 2010 | 14h42

Enquanto boa parte do hemisfério Norte treme de frio, as temperaturas no Ártico sobem a níveis incomuns, informam cientistas dos Estados Unidos.

 

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  O estranho padrão atmosférico é causado por uma variabilidade natural, não pelo aquecimento global produzido pelos gases do efeito estufa, mas pode afetar a cobertura de gelo do Ártico o que, por sua vez, terá impacto na mudança climática, disse Mark Serreze, do Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve dos Estados Unidos.  

 

 "Está muito quente no Ártico, com as temperaturas locais do ar em 5,6º C a 8,4º C, mais quente de que deveria ser em algumas áreas", disse ele.   Isso entra em contraste com o frio recorde, ou quase recorde, que atinge boa parte do leste dos EUA  Canadá, Europa e Ásia desde as últimas semanas de dezembro.  

 

O fenômeno é causado por uma grande área de alta pressão sobre o Ártico, e uma grande área de baixa pressão nas latitudes médias do hemisfério.    Normalmente, essas áreas de pressão diferenciada iriam mudar e se misturas, num processo conhecido como a oscilação ártica. Em vez disso, mantiveram-se estacionárias, no que os cientistas chamam de uma fase negativa da oscilação. Uma fase positiva teria pressão baixa no ártico e alta nas latitudes médias. Serreze disse que, em dezembro, a fase negativa foi a mais intensa já registrada desde o início das medições, em 1950.  

 

 "Normalmente, a circulação da atmosfera misturaria essas duas (áreas de pressão diversa), e não está fazendo um serviço muito bom agora, então temos essas bolhas de ar quente sobre o Ártico e essas bolhas de ar frio sobre as latitudes médias, paradas ali".  

 

As bolhas parecem estar começando a se mover, um sinal de que a fase negativa está perdendo força. A extensão da camada de gelo sobre o Ártico, em dezembro, continuava abaixo do normal, com 920.000 quilômetros quadrados, abaixo da média de dezembro do período 1979-2000. Mas estava acima da baixa recorde de 2006.  

 

O nível baixo do gelo no Ártico pode acelerar o aquecimento global, porque há menos gelo de cor clara para refletir a luz do sol e mais água escura do mar para absorver a radiação.

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