Arremedo de acordo proposto em Copenhague não convence

Lula diz que proposta americana foi 'muito pouco'; Dilma classificou de 'ridículo' o financiemento proposto pelos EUA para reduzir emissões

Lisandra Paraguassú, AE

22 Dezembro 2009 | 12h28

A 15.ª Conferência do Clima da ONU, realizada neste mês em Copenhague, reuniu representantes de 193 países, mas terminou no sábado com um acordo discutido apenas entre 25 nações, incluindo EUA, China e Brasil. O texto foi rejeitado na plenária final, com oposição de países como Sudão, Tuvalu, Nicarágua, Venezuela e Bolívia.

 

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O acordo proposto, considerado insuficiente para combater a elevação das temperaturas no planeta, traz como objetivo impedir que neste século haja aumento de mais de 2˚C – mas não diz como isso seria atingido. O texto não traz nenhum compromisso com metas de redução de gases causadores do efeito estufa.

 

 

Em termos de financiamento de ações de adaptação e mitigação aos efeitos das mudanças climáticas, especialmente em países mais pobres e mais vulneráveis, como nações africanas e ilhas na Polinésia, o texto prevê que os países industrializados empreguem US$ 30 bilhões nos próximos três anos – US$ 3,6 bilhões dos EUA –, além de até US$ 100 bilhões por ano entre 2013 a 2020.

 

 

Entre as posições que travaram a elaboração de um acordo climático mais ambicioso em Copenhague estão a resistência dos Estados Unidosem se comprometer com metas de redução de emissões de CO2 e a recusa da China em se deixar monitorar por organismos internacionais.

 

LULA: "É POUCO"

 

Recém-chegado de Copenhague,o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou decepção com os resultados da Conferência do Clima. A jornalistas,avaliou, pela manhã,que outros países “não evoluíram” e culpou os Estados Unidos e suas metas pífias pela dificuldade de avançar nas discussões. “Nós fizemos o melhor programa, mas outros países não evoluíram porque estavam reféns da proposta americana. Aos europeus isso interessava porque eles não queriam aumentar sua meta para 30%”, disse Lula.

 

 

Os europeus haviam apresentado uma proposta de redução de emissões dos gases de efeito estufa que poderia variar de 20% a 30% em relação a 1990, dependendo do resultado das negociações. Mas o fato de os americanos terem apresentado uma metaque representa apenas 4% na comparação com 1990 permitiu um esforço mínimo da União Europeia.

 

No programa Café com o Presidente, que foi ao ar ontem em cadeia de rádio, Lula classificou a proposta americana de “muito pouco” e foi além: afirmou que a posição dos EUA, que não é signatário do Protocolo de Kyoto,incentivou os demais países a quererem abandonar o que já havia sido assinado para não terem mais compromissos.

 

Apesar de ter saído com uma ótima imagem da COP-15, como o País que mais se esforçou para tirar algo concreto de um encontro fadado ao fracasso pela má vontade de vários lados, Lula demonstrou frustração de ter saído de Copenhague com um acordo pífio. “Se tivéssemos negociado por mais um mês, acho que teríamos fechado um acordo.” Ele revelou que espera mais da COP-16, marcada para o fim de 2010, no México.

 

Já o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que considerou um fracasso e uma frustração o resultado do encontro. Criticou não apenas os EUA, mas países como Cuba e Venezuela, que relutaram a aprovar o texto acordado por 25 nações, entre as quais o Brasil, mesmo sendo fraco, para não votar com os americanos. “Foi muita gente olhando para o seu próprio umbigo e um clima de desconfiança muito ruim”, disse.

 

‘RIDÍCULA’

 

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, classificou como “ridícula” a proposta dos países desenvolvidos de investir “apenas” US$ 10 bilhões por ano entre 2010 e 2012 para conter as emissões de carbono.

 

Mostrando-se decepcionada com os resultados da COP-15, comentou que “se você considerar que só o Brasil vai investir US$16 bilhões por ano, num total de US$ 160 bilhões em dez anos, a cifra citada é ridícula”.

 

A ministra afirmou que o Brasil espera contar com fontes de financiamento internacionais para cumprir suas metas. Mas ressaltou que, em nenhum momento, vai “aceitar barganha para receber estes recursos”. (colaborou Kelly Lima)

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