DANIELA GROS/DIVULGAÇÃO
DANIELA GROS/DIVULGAÇÃO

Áreas de plantio viram dunas de areia na Patagônia

Nos anos 70, o clima do norte da Patagônia começou a mudar, com o aumento das chuvas. Fria e seca, a região ficou levemente mais quente e úmida. Foi o que bastou para produtores ampliarem a área de plantio de trigo e a criação de gado, derrubando florestas naturais. A partir de meados desta década, a situação mudou, com períodos de estiagem. O pior ocorreu nos últimos meses: tempestades de areia, capazes de escurecer o céu, se tornaram frequentes. “A cidade está sumindo sob a areia”, diz Daniela Gros, filha e neta de produtores agrícolas de Carmen de Patagones, a 900 quilômetros de Buenos Aires.

Ariel Palacios, Correspondente de O Estado de S. Paulo

26 Novembro 2009 | 23h15

 

As dunas avançaram sobre pastos e apagaram as divisas entre fazendas, matando animais e provocando o êxodo dos habitantes. Especialistas registraram perdas do solo em profundidades de até 50 centímetros.

 

“Em 2007 surgiram as primeiras dunas e, no ano passado, os ventos começaram a levar o solo para o mar”, disse Daniela ao Estado. Segundo ela, a situação é “dramática”. “As tempestades de areia têm deixado até as estradas intransitáveis, pela baixa visibilidade.”

 

“A precipitação aqui era de 300 milímetros por ano. Há quatro anos, caiu para 200 mm. Agora são 120”, diz Julio Cesar Haure, de 56 anos, dono de uma propriedade de 400 hectares. “Os solos foram ficando descobertos e no início do ano começaram a ser levados pelos ventos, cada vez mais intensos.” Haure estima que cerca de 60% dos produtores da região abandonaram seus campos.

 

Diretor de Clima e Água do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária, Cesar Rebella diz que Carmen de Patagones foi afetada pelo avanço da criação de gado, que perdera espaço para a soja nos Pampas. “A região foi ocupada por pastos artificiais. Depois vieram problemas climáticos, como dois ou três anos de chuvas insuficientes, e a cobertura vegetal começou a ser afetada. A situação foi agravada pela maior frequência de ventos do oeste, que carregam o solo. Não diria que é uma desertificação, mas uma perda de solos”, diz Rebella, que propõe uma revisão radical no manejo da terra na região.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.