Divulgação / Corpo de Bombeiros
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Área queimada do Pantanal até agosto supera média histórica, diz universidade

Dados foram corrigidos nesta segunda-feira pela UFRJ; Mato Grosso do Sul é a parte mais afetada

José Maria Tomazela e Emilio Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2021 | 16h37

Correções: 23/08/2021 | 19h23

Os incêndios no Pantanal já consumiram 261 mil hectares de campos e matas, valor maior do que a média histórica para o período de janeiro até 21 de agosto: 248 mil hectares. Isso mesmo antes de chegarmos ao mês em que é esperado o pico de queimadas, setembro. A constatação é do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No mesmo período do ano passado, que bateu todos os recordes de incêndios na região, foram perdidos 1.356 milhão de hectares. Cada hectare equivale a um campo de futebol.

Esses dados foram corrigidos nesta segunda-feira pelo Lasa. A informação inicial era que os níveis de área queimada neste ano haviam ultrapassado os registrados em 2020. De acordo com o laboratório, o erro se deu em decorrência de falhas ocorridas no sistema de acesso ao repositório de imagens da Nasa.

“Tais falhas interferiram na transmissão fidedigna e em tempo real dos dados do ALARMES (o sistema desenvolvido pela Lasa), levando o nosso sistema a ficar fora do ar momentaneamente e causando a leitura não atualizada dos dados.”

“Tivemos uma grande aceleração das queimadas no ano passado, no período de agosto a outubro. Este ano, estamos com esses números praticamente sem ter, ainda, entrado no período mais crítico, o que é bastante preocupante”, disse o secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck.

Ele ressalvou que grande parte dos incêndios aconteceu no Território Indígena Kadiweu, no município de Porto Murtinho. “Só na reserva, houve a queima de mais de 92 mil hectares este ano. No ano passado, não chegou a 3 mil”, disse o secretário. O território indígena soma cerca de 500 mil hectares, ou seja, o fogo queimou quase 20% da área.

Conforme Verruck, que preside a Comissão Estadual de Comando e Controle dos Incêndios Florestais, o Estado vive a seca mais severa na história, com chuvas abaixo da média há quatro anos. “Temos um regime de chuvas extremamente baixo e toda a bacia do Paraná está com alto grau de risco. No Pantanal, o rio Paraguai e outros rios estão extremamente baixos, as lagoas estão secas e a umidade do ar também é muito baixa”, explicou.

Para complicar, as geadas deste ano queimaram a vegetação e as pastagens, deixando grande de biomassa seca, com possibilidade de queima fácil. “Nas últimas duas semanas tivemos um grande aumento de focos, principalmente em Porto Murtinho. Tivemos incêndios em áreas de eucalipto e de cana de açúcar, em alguns casos, incêndios criminosos. Houve seis pontos de queimadas provocadas no Pantanal que acabaram levando o fogo para outras regiões”, relatou.

Conforme o secretário, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Ministério da Ciência e Tecnologia, apontam que o número de focos de incêndio no Estado todo este ano é menor que no ano passado. Foram 1.674 até agora, contra 4.354 no mesmo período de 2020.

“Estamos com aeronaves trabalhando de forma permanente no combate. Já temos 500 horas de voo contratadas com recursos próprios e vamos contratar mais 900 horas com verba do governo federal”, disse.

Temperatura alta e umidade abaixo dos 30% pioram cenário Com a vegetação queimada, temperaturas acima de 30 graus e umidade relativa do ar abaixo de 30%, as chamas avançam muito rápido, com risco para pessoas e animais, segundo a tenente-coronel Tatiane Dias, do Corpo de Bombeiros do MS. Ela coordena a Operação Hefesto, que há 53 dias mantém uma equipe de 135 bombeiros, quatro viaturas e oito aeronaves na base de Corumbá, no Pantanal.

A situação das queimadas levou a Prefeitura de Corumbá (MS) a pedir ajuda aos governos federal e de Mato Grosso do Sul para combater as queimadas no Pantanal. Até a publicação desta reportagem, não havia sinalização do governo federal.

Nesta segunda-feira, o fogo atingia o Carandazal, uma floresta nativa dessa espécie arbórea. No domingo, 22, as equipes se deslocaram às áreas atingidas nos municípios de Bela Vista e Água Clara, na fronteira com o Paraguai. O Exército apoia o combate às chamas com 125 homens, veículos e equipamentos. “A situação mais crítica permanece no Carandazal, onde os focos estavam praticamente controlados, mas o vento mudou de direção e o fogo voltou a se propagar”, disse a militar.

Em 2020, segundo o Instituto SOS Pantanal, os incêndios destruíram 4 milhões de hectares, equivalentes a 26% do bioma nos dois Estados – Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Essa área queimada equivale a 26 vezes a cidade de São Paulo. As chamas causaram um desastre ambiental sem precedentes, com a morte de animais ameaçados, como a onça-pintada. Os rios pantaneiros foram contaminados pela deposição de cinzas e fuligem. / COM AGÊNCIA BRASIL

Correções
23/08/2021 | 19h23

A informação inicial divulgada pelo Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da UFRJ era de que os níveis de área queimada neste ano haviam ultrapassado os registrados em 2020. O erro se deu em decorrência de falhas ocorridas no sistema de acesso ao repositório de imagens da Nasa.

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