TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO - 13/10/2015
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Área desmatada na Amazônia para plantio de soja aumenta quatro vezes desde 2012

Apesar do avanço, o número foi classificado como positivo pelo ministro do Meio Ambiente, Zeca Sarney, e pelo Greenpeace

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2018 | 15h45

BRASÍLIA - Relatório de Monitoramento por Imagens de Satélite dos Plantios de Soja mostra que a área desmatada para o plantio do grão na área amazônica quadruplicou desde 2012, apesar da moratória. Os dados mostram que na safra 2016/2017, a área de desflorestamento associada ao plantio foi de 47,4 mil hectares. Na safra 2012/2013, o desmate era de 11,2 mil hectares. Apesar do avanço, o número foi classificado como positivo pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e pelo Greenpeace.

"O copo está quase cheio", disse o ministro. Sarney argumentou que a maioria da plantação do grão é feita de acordo com as regras da moratória, declarada em 2006. Os números mostram que nesta última safra, de 4,48 milhões de hectares, 1,2% da plantação está associada ao desmatamento. Um porcentual, na avaliação do ministro, pouco significativo.

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"De fato, houve um avanço no desmatamento. Mas diante da expansão da soja nos últimos anos, da área plantada, esse indicador não é expressivo", avaliou o diretor executivo da AgroSatélite, empresa responsável pela execução do estudo. Em 2006, quando a moratória foi declarada, a área de plantio de soja na Amazônia era de 1,4 milhão de hectares.

Paulo Adário, do Greenpeace, classificou os números como positivos e um indicativo de que acordos como esse podem ser realizados em outras áreas. Declarada em 2006 pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, pela Associação Nacional de Exportadores de Cereais e empresas associadas, a moratória se baseia no compromisso de não adquirir ou financiar o plantio do grão em áreas desmatadas na Amazônia a partir de 2008.

Para o Ministério do Meio Ambiente, o baixo impacto do plantio de soja nos índices atuais de desmatamentos se deve ao fato de que a cultura utiliza sobretudo áreas que haviam sido desmatadas antes do pacto.

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