Arara-azul prova que preservação é viável

Relatório divulgado em janeiro pelo Ministério do Meio Ambiente rebaixou o grau de risco atribuído à ave

Tião Oliveira, O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2015 | 03h00

MIRANDA (MS) - Os olhos de Neiva Guedes ainda ficam marejados quando ela fala de araras azuis. Em novembro de 1989, a bióloga recém-formada se encantou com a ave durante um curso no Pantanal e, quando soube que a espécie estava na lista do Ibama de animais ameaçados de extinção, passou a pregar aos colegas que dedicaria sua vida para que isso não acontecesse. 

Passados 25 anos, a agora mestre em Ciências Florestais, doutora em Zoologia, professora de mestrado, criadora e presidente do Instituto Arara Azul viu seu sonho ser realizado: relatório divulgado em janeiro pelo Ministério do Meio Ambiente rebaixou o grau de risco atribuído ao psitacídeo.

Um dos resultados concretos do trabalho de Neiva é aumento do número de "indivíduos", como ela se refere às aves, de cerca de 1.500 nos anos 80 para os atuais 5 mil. "Ainda me emociono com eles", conta a professora, enquanto segura um filhote de 85 dias de vida e quase um metro de comprimento. Atualmente o instituto monitora aproximadamente 3 mil aves em 615 ninhos espalhados por 57 fazendas no Mato Grosso do Sul. "Recentemente ficamos sabendo de um ninho a apenas 10 km de distância de Campo Grande", festeja a bióloga.

"Agora a meta é tornar o Instituto Arara Azul autossustentável", afirma Ricardo Bastos, presidente da Fundação Toyota, principal apoiadora do projeto. A ligação de Neiva com a fabricante de veículos começou em 1991, quando a empresa cedeu um utilitário-esportivo Bandeirante à bióloga para que ela pudesse chegar a locais de difícil acesso.    

Entre as ações implementadas para financiar o projeto estão a realização de eventos e palestras, mas a mais visível é a campanha "Adote um Ninho", que conta com a participação de 45 patrocinadores. Além de empresas, fazem parte desse time nomes como o cartunista Ziraldo, os cantores Michel Teló e Luan Santana e o cineasta Carlos Saldanha. Aliás, ele procurou Neiva quando estava desenvolvendo os estudos para rodar a animação "Rio", que conta a história de Blue, último macho conhecido de uma espécie supostamente extinta.

"Uma ótima forma de as pessoas participarem é visitando o projeto 'in loco'", afirma Neiva. De acordo com ela, quanto maior o número de turistas, maior será a visibilidade alcançada pelo Instituto. "É raro quem não se encanta", afirma. 

 

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