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Aquecimento global faz renas encolherem no Ártico

O peso médio de renas adultas em Svalbard, na Noruega, caiu de 55 kg para 48 kg desde a década de 1990 porque o acesso à comida está mais difícil nos invernos amenos, com mais chuva do que neve

Alister Doyle, Reuters

12 Dezembro 2016 | 18h33

OSLO - As renas estão encolhendo em uma ilha do Ártico perto do Polo Norte, em um efeito colateral da mudança climática que tem reduzido a oferta de comida no inverno para os animais frequentemente retratados como os puxadores do trenó de Papai Noel, alertaram cientistas nesta segunda-feira (12).

O peso médio de renas adultas em Svalbard, uma cadeia de ilhas ao norte da Noruega, caiu de 55 kg para 48 kg na década de 1990 como parte de mudanças radicais na vida do Ártico à medida que as temperaturas aumentam.

“Verões mais quentes são ótimos para renas, mas os invernos estão ficando cada vez mais difíceis”, disse à Reuters Steve Albon, ecologista do Instituto James Hutton, na Escócia, que liderou o estudo com pesquisadores noruegueses.

Invernos menos frios significam que em vez de tempestades de neve, que antes eram comuns, ocorram mais eventos de chuva, que pode congelar em uma camada de gelo, tornando mais difícil para os herbívoros alcançar os alimentos. Algumas renas morrem de fome e as fêmeas muitas vezes dão à luz a jovens atrofiados.

No verão, no entanto, as plantas florescem em uma bonança de alimentos que garantem fêmeas saudáveis mais propensas a conceber no outono – a gravidez dura cerca de sete meses. O rebanho selvagem estudado tinha crescido de 800 para cerca de 1.400 animais desde os anos 1990.

“Nós temos mais, mas menores renas”, disse Albon sobre as renas de Svalbard, a cerca de 1.300 km do Polo Norte. A crescente população também significa mais competição por alimentos escassos no inverno.

Ele lembrou que um popular livro para crianças, “Father Christmas”, de Raymond Briggs, mostra na capa um trenó puxado por duas renas. Se os animais forem menores e mais fracos, “duas renas serão suficientes?”, questionou.

As temperaturas do Ártico estão subindo mais rapidamente do que a média mundial diante do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

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