Aquecimento global ameaça os pinguins, diz WWF

A população de pinguinsantárticos sofreu uma forte redução devido ao aquecimentoglobal, que destrói os locais dos ninhos e as fontes dealimentos, segundo relatório divulgado na terça-feira pelo WWF. A península Antártica se aquece a um ritmo cinco vezessuperior ao da média mundial, afetando quatro espécies depinguins -- o imperador (maior do mundo), o papua, o barbicha eo adélia -- segundo o estudo. "Os pinguins antárticos já têm uma longa marcha detrás desi", disse Anna Reynolds, vice-diretora do Programa de MudançaClimática Global do WWF, em nota divulgada na reunião climáticada ONU em Bali. "Agora parece que esses ícones da Antártida terão deenfrentar uma batalha extremamente dura para se adaptar aoritmo sem precedentes da mudança climática", acrescentou. O relatório, intitulado "Pinguins Antárticos e a MudançaClimática", diz que o gelo marinho cobre hoje uma área 40 porcento inferior à de 26 anos atrás na costa oeste da penínsulaAntártica, o que provoca uma redução na oferta de krill(pequeno crustáceo que é a base da alimentação dos pinguinspapua e barbicha). Na costa noroeste da península, onde o aquecimento é maisacelerado, a população do pinguim adélia caiu 65 por cento nosúltimos 25 anos, segundo o WWF. Nas mesmas colônias, a população do pinguim barbicha tevequeda de 30 a 66 por cento. Entre os pinguins imperadores,algumas colônias se reduziram à metade em meio século. O calor obriga os pinguins a criarem seus filhotes emcamadas de gelo cada vez mais finas, que se rompem mais cedo.Além disso, ventos mais fortes costumam varrer ovos e filhotesantes que esses possam sobreviver por conta própria. Um estudo de 2005 mostrou que a maioria das geleiras dapenínsula Antártica está recuando -- e cada vez mais rápido --devido ao aquecimento. No resto do continente, a maior parte dogelo parece estável. "A teia alimentar da Antártida, e portanto a sobrevivênciados pinguins e de muitas outras espécies, está ligada no futuroao gelo marinho", disse James P. Leape, diretor-geral do WWFInternacional. "Após uma marcha tão longa até Bali, os ministros agoradevem se comprometer com fortes reduções nas emissões decarbono dos países industrializados, a fim de proteger aAntártida e salvaguardar a saúde do planeta."

SUGITA KATYAL, REUTERS

11 de dezembro de 2007 | 10h46

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