Aquecimento global ameaça nova plataforma de gelo na Antártida

Os cientistas estão prevendo o desaparecimento de outra grande plataforma de gelo na Antártida até o fim do século, o que deve acelerar a elevação do nível dos oceanos.

REUTERS

09 Maio 2012 | 16h25

A plataforma de gelo de Filchner-Ronne, contígua ao Mar de Weddell, no lado oriental da Antártida, não registrou até agora perda de gelo decorrente do aquecimento global e boa parte das observações de degelo se centralizou no lado ocidental do continente, em torno do Mar de Amundsen.

No entanto, novas pesquisas do Instituto Alfred Wegener para Pesquisa Marinha e Polar, na Alemanha, indicam que os 450 mil metros quadrados da plataforma de gelo estão sob ameaça.

"De acordo com nossos cálculos, essa barreira protetora vai se desintegrar até o fim deste século", disse Harmut Hellmer, principal autor do estudo, publicado na revista Nature desta semana.

As plataformas de gelo gigantes que flutuam pelos mares que margeiam a Antártida funcionam como uma proteção contra as águas mais quentes que derretem a base das geleiras muito maiores por trás delas que ficam sobre a terra firme.

"As plataformas de gelo são como rolhas de garrafas para as correntes de gelo atrás delas", disse Hellmer. "“Elas reduzem o fluxo do gelo."

"Se, no entanto, as plataformas de gelo derreterem a partir de baixo, elas se tornam tão finas que as superfícies que arrastam se tornam menores e o gelo por trás começa a se mover."

Hellmer e sua equipe preveem que o derretimento da plataforma de Filchner-Ronne poderá acrescentar até 4,4 milímetros por ano aos níveis globais das marés.

De acordo com as mais recentes estimativas com base em dados de sensoriamento remoto, os níveis dos oceanos subiram 1,5 milímetro por ano entre 2003 e 2010 em razão do degelo de geleiras e de plataformas de gelo, dizem os cientistas.

Isso além de um aumento anual estimado em 1,7 milímetro em razão da expansão dos oceanos, à medida que a água esquenta.

A pesquisa foi financiada pelo programa 'Ice2sea', da União Europeia, desenvolvida logo depois do relatório de 2007 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que salientou os mantos de gelo como a incerteza remanescente mais significativa nas projeções sobre a elevação dos níveis das marés.

(Por Chris Wickham)

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