'Aprovação do Código será uma tragédia'

ENTREVISTA: Jim Leape, diretor mundial da ONG WWF

Jamil Chade, correspondente/ Genebra, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2012 | 03h06

A decisão da presidente Dilma Rousseff de sancionar o Código Florestal aprovado pela Câmara seria "trágica" para a Rio+20, que será realizada no próximo mês, no Rio. Em entrevista ao Estado, o diretor mundial da entidade ambientalista WWF, Jim Leape, apela para que Dilma vete a lei. Uma das maiores e mais tradicionais ONGs de meio ambiente não disfarça que a lei pode ter um impacto negativo, não apenas no Brasil, mas nas campanhas para frear o desmatamento. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Como a comunidade ambiental internacional vê a aprovação do Código Florestal no Brasil, faltando pouco para a Rio+20?

Seria um tragédia ver a aprovação dessa lei antes da Rio+20. A conferência será o palco do Brasil para o mundo. Até hoje, a conservação da floresta tem sido um ponto positivo para o Brasil. Em dez anos, o ritmo de desmatamento caiu em 70%. Mas a aprovação do Código teria um impacto muito negativo na imagem do País.

O que o sr. espera da presidente Dilma Rousseff agora?

Estamos apelando para que ela tome uma decisão clara de vetar a lei. É importante que ela a vete. É uma lei que ameaça minar a conservação em todo o País e mesmo os esforços internacionais. Reformas na lei terão de ser feitas. Mas esse Código, como foi aprovado, torna a conservação da mata uma tarefa impossível.

O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado. Não seria errado vetar algo que o Congresso decidiu?

O Congresso foi fortemente pressionado por determinados setores da economia. Sabemos, por outro lado, que a população brasileira está fortemente se posicionando contra a lei. Dilma prometeu em sua campanha um certo posicionamento e agora terá de enfrentar a situação e mostrar que é uma liderança na construção de uma economia sustentável.

Muitos ambientalistas têm criticado a posição do Brasil nas negociações do texto da Rio+20, alertando que o País não tem feito avançar a agenda do meio ambiente. Qual a posição da WWF?

Nesse momento não vemos nenhum impulso para que haja um resultado significativo da conferência no Rio. O Brasil, como anfitrião, poderia ter um papel diferente e permitir que os países cheguem a um acordo.

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