Nic Bothma/Efe
Nic Bothma/Efe

Após uma semana de COP-17, impasses sobre o Protocolo de Kyoto continuam

Compromisso terminará em 2012 sem que as bases da segunda etapa do protocolo, que deveria começar em 2013, tenham sido definidas

Efe

02 de dezembro de 2011 | 19h06

Após uma semana da XVII Cúpula da ONU sobre Mudança Climática (COP-17), em Durban, na África do Sul, o futuro do Protocolo de Kyoto continua sem uma definição clara.

Apesar disso, a secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas para a Mudança Climática (UNFCCC), a costarriquenha Christiana Figueres, mostrou-se otimista e disse nesta sexta-feira, 2, à Efe que houve avanços para a renovação do documento.

O Protocolo, assinado em 1997 e em vigor desde 2005, é o único tratado legalmente vinculativo que prevê a diminuição da emissão de gases poluentes por parte dos países desenvolvidos (os Estados Unidos não assinaram o acordo).

O compromisso de Kyoto terminará em 2012, sem que as bases da segunda etapa do protocolo, que deveria começar em 2013, tenham sido definidas. A renovação do tratado se transformou em um dos grandes desafios da COP-17, realizada entre 28 de novembro e 9 de dezembro.

"A pergunta não é mais se vai existir uma segunda etapa, mas como ela será", disse Christiana. A última palavra sobre o protocolo serão dos responsáveis pelas delegações dos países participantes da COP-17, na fase final do encontro, explicou a secretária-executiva.

Seu otimismo, no entanto contrastou com o pouco entusiasmo do Japão, que confirmou nesta sexta que não assinará um segundo acordo, pois prefere "um novo, único e compreensível documento legal com a participação das principais economias".

O embaixador japonês na COP-17, Masahiko Horie, lembrou que os dois países com o maior índice de emissão de gases poluentes, China e EUA, não ratificaram Kyoto.

O chefe negociador chinês, Su Wei, disse que espera que o Japão reconsidere sua postura, que não contribui para uma "solução multilateral na luta contra a mudança climática".

Assim como o Japão, Canadá e Rússia também anunciaram que não assinarão um novo acordo enquanto China, Índia e EUA não se comprometerem a diminuir suas emissões.

Já o chefe da delegação da União Europeia (UE), o polonês Tomasz Chruszczow, assegurou hoje que o plano traçado pelo organismo para impulsionar um novo acordo internacional que substitua Kyoto está atraindo um grande interesse na COP-17.

A UE propõe um Mapa do Caminho para que em 2015 seja estabelecido um acordo para a redução do lançamento de gases poluentes, que entraria em vigor em 2015. O tratado englobaria todas as grandes economias, inclusive as emergentes.

Em declarações à Efe, o negociador europeu disse que "Kyoto já não é suficiente", pois só abrange "entre 15% e 16% das emissões globais". No entanto, ele garantiu que UE "apoiará um segundo período de compromisso de Kyoto", para que "não exista um vazio entre 2012 e 2015".

Chruszczow afirmou que tratou do tema com muitos países, inclusive o G77 (130 países em desenvolvimento e emergentes mais China).

O negociador chinês declarou nesta sexta que seu país, maior emissor mundial de gases causadores do efeito estufa, não descarta assinar um novo tratado vinculativo, mas no momento defende a aprovação de Kyoto, que não prevê nenhuma obrigação por parte dos países emergentes.

Sobre o Mapa do Caminho europeu, o segundo enviado dos EUA para a Mudança Climática, Jonathan Pershing, negou que tenha conversado com a delegação da UE sobre o assunto. Pershing explicou que seu país defende um acordo que envolva tanto as nações ricas como em desenvolvimento.

O chefe da delegação do Brasil, André Correa do Lago, afirmou que a não renovação de Kyoto seria um grande desastre, e por isso são importantes esforços para que a COP-17 represente avanços na questão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.