Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Após empresa contestar elo de navio grego com óleo, Marinha diz seguir várias linhas de investigação

Navios de 11 países passaram pela área investigada, segundo a Marinha

Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2019 | 21h08

BRASÍLIA  – Após a organização americana Skytruth contestar as acusações da Polícia Federal de que o derramamento de óleo que atinge o litoral brasileiro desde agosto teria sido causado por um navio grego, a Marinha disse na noite desta sexta-feira, 15, trabalhar "em diversas linhas de investigação. Reforçou, no entanto, a suspeita sobre a embarcação europeia. 

Conforme a Marinha, foram identificados 30 navios de 11 bandeiras diferentes de passagem pela área investigada, e foi solicitada a apuração pelas autoridades marítimas desses 11 países sobre as embarcações. Em paralelo, a Polícia Federal levantou o tráfego marítimo de três navios em uma área com manchas de óleo, sendo que apenas um deles transportava petróleo cru.  

“As investigações prosseguem com apoio de instituições públicas e privadas, nacionais e estrangeiras. Todos os recursos disponíveis serão empregados, até que as circunstâncias e a fonte causadora de crime sejam elucidadas”, afirmou a nota.

No dia 2 de novembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Mácula e cumpriu mandados de busca e apreensão em duas empresas no Rio - na Lachmann Agência Marítima e na Witt O Brien’s - que teriam relação com a Delta Tankers, companhia grega que negou ser autora da tragédia e se dispôs a colaborar com as investigações brasileiras. O governo divulgou o nome da empresa grega e, ao menos por enquanto, não recuou em relação à suspeita sobre o navio europeu.

Nesta semana, a organização americana Skytruth - empresa especializada em análises do mar via satélite e que reúne, entre seus fundadores, diversas empresas e organizações, como Google e Oceana – divulgou estudo demonstrando que o navio grego que até então era tido como o principal suspeito pelo desastre não figuraria entre os alvos que teriam originado o derramamento.

A Marinha lembrou nesta sexta que usou estudos oceanográficos das correntes marinhas para determinar uma área de investigação de onde pudesse haver dispersão de óleo para abranger toda a área afetada. O Centro de Hidrografia da Marinha (CHM) utilizou modelos próprios e outros modelos de dispersão desenvolvidos pelas seguintes instituições: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).

A Marinha citou que foram retiradas amostras de petróleo de todos os poços de exploração na área investigada, ainda que “seja remota a probabilidade de haver óleo com as características” do óleo achado nas praias. Segundo a Marinha, tampouco houve afundamentos recentes. Além disso, todos os afundamentos antigos de navios na área também estão sendo investigados, “ainda que a probabilidade também seja muito baixa”. Segundo a Marinha, os tambores de óleo encontrados na costa também têm características distintas do óleo cru que aparece nas praias.

A Marinha reiterou ainda que as amostras coletadas e analisadas pelo Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) e Petrobrás atestaram que o óleo encontrado em diferentes praias do Nordeste possui características semelhantes, e coincide com o extraído em campos da Venezuela. “Como contraprova, foram emitidas amostras desse óleo para análise por instituições no exterior, a fim de ratificar suas características e origem”, acrescentou o documento.

 

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