Jefferson Rudy/Agência Senado
Jefferson Rudy/Agência Senado

Após crítica de Salles, Noruega diz que operação de petróleo está 'entre as mais limpas do mundo'

País foi alvo de comentários críticos do ministro do Meio Ambiente durante audiência no Senado. Embaixada ressaltou que sua indústria petrolífera é líder global em padrões de saúde, segurança e proteção ambiental

André Borges, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2019 | 17h17

BRASÍLIA – A Noruega reagiu às declarações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que declarou, em audiência no Senado realizada nesta semana, que o País europeu tinha passivos ambientais ao explorar petróleo no Ártico e caçar baleias. Questionado pela reportagem do Estado sobre as declarações do ministro, a Embaixada da Noruega declarou nesta sexta-feira, 9, dois dias após as declarações de Salles, que suas operações estão entre as mais limpas do mundo.

“A Noruega está comprometida a continuar com a gestão responsável, prudente e sustentável dos seus recursos petrolíferos. A indústria petrolífera norueguesa é líder global em padrões de saúde, segurança e proteção ambiental. As atividades petrolíferas norueguesas estão entre as mais limpas do mundo, devido à rigorosa regulamentação governamental e aos altos padrões tecnológicas da indústria norueguesa”, informou a Embaixada.

Segundo a representação diplomática no Brasil, “as condições do Ártico são diversas e as atividades de petróleo e gás no mar de Barents, na Noruega, tem as mesmas condições operacionais das regiões mais ao sul. Nos últimos 40 anos, a Noruega demonstrou que a exploração de petróleo no mar de Barents pode ser conduzida de maneira segura.”

Durante audiência com senadores, Salles declarou: “A Noruega é o país que explora petróleo no Ártico, eles caçam baleia. E colocam no Brasil essa carga toda, distorcendo a questão ambiental.”

O ministro comentava as negociações sobre o destino do Fundo Amazônia, principal programa do País de combate ao desmatamento. A Noruega responde por 94% das doações de R$ 3,4 bilhões feitas ao fundo até hoje. Os demais 6% foram doados pela Alemanha. A Petrobrás também chegou a fazer uma pequena doação anos atrás.

O programa está parado desde que o governo declarou haver irregularidades na gestão do fundo, apesar de a Noruega e Alemanha terem afirmado que estavam satisfeitos com a gestão do programa, feita pelo BNDES, e com a seleção de seus projetos em andamento.

Os governo da Noruega e Alemanha ainda não se posicionaram oficialmente sobre o que será feito de suas doações atuais ou futuras para o Fundo Amazônia. Salles disse que sua proposta é criar um comitê executivo que passa a analisar e fiscalizar as ações do conselho consultivo do fundo. "Não estamos nos tornando, nem de longe, esse patinho feio que interesses comerciais e midiáticos têm dito", afirmou.

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