Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Após alta no desmatamento na Amazônia, Mourão critica sistema de monitoramento

Vice-presidente diz que tem de resolver o problema fundiário para continuar nesse eterno jogo de gato e rato em relação à índice

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 12h11

BRASÍLIA - Após o Brasil indicar alta de 34,5% no desmatamento da Amazônia este ano em relação ao anterior, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou nesta sexta-feira, 7, que os sistemas de monitoramento brasileiros "não são os melhores" e precisam ser aprimorados. Mourão também afirmou que é preciso resolver o "problema fundiário" da Amazônia para controlar a devastação ambiental na região.

"Óbvio, temos que tratar do problema fundiário da Amazônia. Se não resolvermos o problema fundiário da Amazônia, vamos continuar nesse eterno jogo de gato e rato em relação à índice de desmatamento", disse o vice durante videoconferência promovida pela FSB Comunicação, na manhã desta sexta-feira.

Mourão também reforçou que existe pressão para o governo atuar para diminuir os índices de desmatamento. Os alertas do Deter para o período de agosto de 2019 a julho de 2020 fecharam nesta sexta-feira em 9.205 km², ante 6.844 km² observados nos 12 meses anteriores – que também já era o maior número da série histórica até então. O valor indica um avanço de 34,5% no desmate em relação ao período anterior e é o maior desde 2016.

"Há muito desencontro, porque nós temos uns sistemas de monitoramento que não são os melhores. O nosso sistema de monitoramento de apoio à decisão se ressente de uma melhor qualidade, é uma tarefa que nós precisamos avançar", declarou Mourão.

"Os satélites que nós temos são satélites óticos, que não enxergam durante período das chuvas, não enxergam durante o período de nuvens. Precisamos avançar para ter uma tecnologia radar, temos aeronaves não tripuladas de melhor nível, em que possam manter um acompanhamento da situação da cobertura vegetal de forma mais, digamos assim, com melhor qualidade, do que só pura e simplesmente a imagem satelital", acrescentou o vice.

Em entrevista ao Estadão em 11 de julho, logo depois que tinham sido divulgados os dados do Deter de junho, também com alta, Mourão já havia classificado o sistema de monitoramento brasileiro como "péssimo". Alguns dias depois, um grupo de 19 renomados pesquisadores brasileiros publicou um artigo no Estadão defendendo o monitoramento feito no País.

Eles destacaram, inclusive, um novo sistema do Inpe, o chamado Deter Intenso, que combina os dados óticos com os de radar, o que aumenta a sensibilidade e permite uma boa visibilidade mesmo com nuvens. O Deter Intenso já está disponível para atender os trabalhos de fiscalização e foi celebrado pelo ministro Marcos Pontes em coletiva de imprensa alguns dias depois.

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