TASSO MARCELO/AE
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Após 70 anos, cutias voltam ao Parque Nacional da Tijuca, no Rio

Projeto de reintrodução da espécie é parceria entre a direção do parque, UFRJ, UFRRJ e prefeitura

Clarissa Thomé/RIO, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2010 | 10h21

Havia 70 anos que cutias não circulavam pelo Parque Nacional da Tijuca. Mas um projeto de repovoamento da mata com os animais – parceria entre a direção do parque, as universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a prefeitura – devolveu quatro casais dos roedores para a região.

 

Um deles já procriou. Nasceram dois filhotes, os primeiros nascidos no parque depois de muitas décadas. A reintrodução de cutias no parque é uma tentativa de ajudar na renovação da floresta e tem o financiamento da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFRJ.

 

“Algumas espécies de árvores com sementes grandes dependem das cutias para a dispersão. A semente cai da árvore e, se não for removida, é consumida por besouros. As cutias têm o hábito de enterrar as sementes para consumi-las depois, mas acabam esquecendo e fazendo o replantio”, explica a bióloga Alexandra Pires, do Instituto de Florestas da UFRRJ.

 

Entre as árvores que dependem do trabalho da cutia estão a palmeira-iri (ou brejaúva) e a cutieira. “Começamos um trabalho de levantamento na mata e não encontramos indivíduos jovens dessas espécies. É um indício de que a renovação da floresta está sendo prejudicada”, afirma Alexandra, uma das coordenadoras do projeto, ao lado do chefe do Laboratório de Ecologia e Conservação de Populações, Fernando Fernandez.

 

Mas a volta das cutias para a Floresta da Tijuca não é trabalho fácil. Os quatro casais de roedores viviam no Campo de Santana, parque de cerca de 15 hectares, no Centro da cidade, à beira da movimentada Avenida Presidente Vargas. Os primeiros escolhidos, doados pela Fundação Parques e Jardins, passaram por um período de quarentena na Fundação Rio Zoo, onde receberam cuidados de veterinários e biólogos, e passaram por exames de sangue e fezes.

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