Apoio da UE a biocombustíveis recebe críticas e gera polêmica

A União Europeia tem a meta de que 10% de seus combustíveis usados nas estradas venham de fontes renováveis

Reuters,

12 Fevereiro 2010 | 14h30

Uma nova controvérsia está se armando dentro da União Europeia a respeito dos biocombustíveis e de seu impacto indireto sobre florestas tropicais e áreas úmidas, mostram documentos.

 

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Um documento vazado da Comissão Europeia, o braço executivo da UE, sugere que os biocombustíveis de palmeira, produzidos principalmente na Ásia, poderão receber impulso dos novos critérios ambientais que estão sendo elaborados.

 

Mas outro papel contém uma advertência de uma alta autoridade, dando conta de que a pegada de carbono dos biocombustíveis poderia "matar" uma indústria da UE com rendas de cerca de US$ 5 bilhões.

 

A União Europeia tem a meta de que 10% de seus combustíveis usados nas estradas venham de fontes renováveis até o fim da década, mas encontrou a crítica de que os biocombustíveis podem forçar a elevação do preço dos alimentos e causar mais dano que bem na luta contra a mudança climática.

 

A maior parte da meta de 10% será atingida por meio de biocombustíveis, criando um mercado cobiçado pelos países agrícolas da UE, bem como por exportadores como Brasil, Malásia e Indonésia.

Ambientalistas dizem que biocombustíveis feitos de cereais e oleaginosas estão fazendo com que fazendeiros invadam áreas de floresta e drenem áreas úmidas para expandir suas plantações. Isso é chamado de Mudança Indireta no uso do Solo, ou Iluc, na sigla em inglês.

 

A limpeza de terrenos e a queimada de florestas põem grandes quantidades de carbono na atmosfera, e portanto a UE estaria se arriscando a causar danos ao clima ao construir esse mercado.

 

Para conter a ameaça, critérios ambientais foram criados. A Comissão Europeia também vem buscando introduzir regras para conter o impacto da Iluc, mas o progresso está sendo dificultado por causa de opiniões conflitantes de especialistas em comércio, agricultura, energia e ambiente.

 

"Um uso errado de Iluc mataria os biocombustíveis da UE", escreveu uma alta autoridade em agricultura em uma carta obtida pela agência de notícias Reuters.

 

Como parte da pesquisa para as novas normas, a comissão recebeu informes científicos desfavoráveis aos biocombustíveis, por conta do impacto indireto no uso da terra, mas não os trouxe a público, denuncia o grupo ambientalista T&E.

O grupo fez pedidos na Justiça para que a comissão divulgue os papéis, mas até agora o prazo legal de 30 dias para a liberação foi superado em três vezes.

 

"Esses relatórios precisam ser liberados para que o público veja todos os fatos", disse a ativista Nusa Urbancic. "O que é preocupante é que estamos vendo um padrão de manipulação da ciência".

 

Representantes da comissão dizem que a pesquisa inclui centenas de documentos, o que dificulta o atendimento do pedido da T&E.

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