Apesar de ter matriz limpa, Brasil discute riscos energéticos
Conteúdo Patrocinado

Apesar de ter matriz limpa, Brasil discute riscos energéticos

Intermitência das renováveis e uso do gás como transição dividem opiniões

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

10 de junho de 2021 | 11h25

Enquanto o mundo debate a maneira mais eficiente de participar da transição energética para “limpar” sua matriz de geração, o Brasil já parte de uma posição privilegiada para cumprir metas e objetivos de descarbonização. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), cerca de 83% da geração elétrica do Brasil provém de fontes renováveis, com destaque para a hídrica e avanços constantes em eólica e solar, além da biomassa. Mesmo com esse potencial, os desafios que se colocam hoje residem na regulação, na segurança do fornecimento e na precificação do insumo, de acordo com a opinião de especialistas que participaram do webinário Caminhos da Energia.

O presidente da Votorantim Energia, Fabio Zanfelice, destacou as características ímpares do Brasil nessa corrida global pelo uso das energias renováveis, como a complementariedade e alta interconexão. “Temos vento à noite e sol durante o dia. Temos biomassa que gera durante o período seco, hidrelétrica durante o período úmido. Ou seja, temos complementaridade de todas as formas. O Brasil é uma potência energética, como é uma potência agrícola, e nós temos que aprender a explorar isso”, comentou.

O presidente da consultoria PSR, Luiz Barroso, afirmou que a própria forma como o mundo se relaciona com a energia está mudando desde que se iniciou a busca por uma matriz elétrica de menor intensidade e de uma utilização dessa matriz mais “limpa” como vetor para eletrificar o restante da economia. “Uma série de inovações tecnológicas, como a geração colocada ao lado do consumidor – a chamada geração distribuída –, o painel solar e as baterias trazem um conceito muito mais amplo que o da transição energética, mas de transformação energética”, classificou. Ele deu como exemplo a penetração de carros elétricos. “Não adianta nada você ter um carro elétrico num país onde a eletricidade é produzida a partir da geração a carvão”, afirmou.

O diretor executivo do Instituto Escolhas, Sergio Leitão, concordou que o Brasil é o país das energias renováveis, mas criticou o atual planejamento estratégico da EPE, que se estende até 2030, por prever grandes investimentos em fontes consideradas mais “sujas”. “Na terra do ‘pré-sol’, do ‘pré-vento’, por que a gente perde tempo com o pré-sal?”, perguntou no evento. Ele destacou que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, lançou um plano de infraestrutura e emprego no qual propôs 100% de uma matriz elétrica, renovável e limpa. “E aqui no Brasil estamos fazendo o caminho inverso, dando dinheiro, dando subsídios e usando o pretexto de mais uma crise energética, de uma crise hídrica, para sujar a nossa matriz”, criticou.

É exatamente no gerenciamento do período de transição para uma matriz cada vez mais renovável que existe uma discordância entre os especialistas. Para Barroso, da PSR, o gás natural pode cumprir o papel de energia de transição. “O Brasil não pode prescindir de nenhuma fonte, absolutamente”, defendeu.

Leitão tem uma posição contrária. “Quando se fala em gás como elemento de transição, a palavra implica um tempo, uma transitoriedade. Se perguntar para o ministro de Minas e Energia quanto tempo vai durar a transição, ele não vai saber responder”, alertou.

O executivo reclama especialmente da crítica que é feita sobre a intermitência das fontes renováveis. “Vamos combinar: o que não é intermitente? A gente está falando agora exatamente de uma crise hídrica. Então a gente vai dizer que a energia de base do País, que é a hidroeletricidade, é uma fonte intermitente? Todas as fontes são variáveis. Se o caminhão de diesel não chegar à térmica a diesel vai sofrer também a sua intermitência, porque é uma questão de insumo”, comparou Leitão.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.