Ajay Verma/Reuters
Ajay Verma/Reuters

2020 se iguala a 2016 como ano mais quente do registro histórico, segundo agência europeia

O ano passado registrou o mesmo aumento de temperatura observado em 2016, quando houve um forte episódio de El Niño, fenômeno que provoca elevação das temperaturas

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2021 | 05h14
Atualizado 08 de janeiro de 2021 | 12h52

O serviço europeu de observação da Terra, o Copernicus, informou nesta sexta-feira, 8, que 2020 foi o ano mais quente do registro histórico, empatando com 2016, que detinha até então o recorde de calor. Os últimos seis anos foram os mais quentes do registro, assim como a década de 2011 a 2020 como um todo, de acordo com a agência, o que aumenta o alerta para a urgência de agir contra o aquecimento global.

O planeta registrou, no ano passado, uma temperatura média 1,25°C superior à observada entre 1850 e 1900 (antes da Revolução Industrial). O aumento foi o mesmo que tinha ocorrido em 2016, com a diferença de que naquele ano houve a ocorrência de um forte El Niño, fenômeno marcado pelo aquecimento das águas do Pacífico. Em 2020, ao contrário, teve a presença de um La Niña, que promove resfriamento, mas não foi capaz de conter o aumento das temperaturas promovido pelas mudanças climáticas.

De acordo com a Nasa e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o El Niño havia contribuído entre 0,1 e 0,2°C para o aumento da temperatura naquele ano.

"É claro que sem os impactos do El Niño e do La Niña nas respectivas temperaturas, [2020] teria sido o ano mais quente já registrado", disse à France Presse Zeke Hausfather, climatologista do Breakthrough Institute.

A OMM, que em breve publicará sua análise da temperatura do planeta no ano passado combinando os dados de vários órgãos oficiais, já havia indicado em dezembro que 2020 estaria sem dúvida entre os três anos mais quentes. O período 2015-2020 foi o mais quente já registrado e a última década (2011-2020) também foi a mais quente desde o início da era industrial.

"2020 se destaca por seu calor excepcional no Ártico e um número recorde de tempestades tropicais no Atlântico Norte. Não é nenhuma surpresa que a última década foi a mais quente já registrada e é mais um lembrete da urgência de reduções ambiciosas de emissões para prevenir impactos climáticos adversos no futuro", afirmou em nota à imprensa Carlo Buontemmpo, diretor do Copernicus.

Esses efeitos já são visíveis em todo o planeta, por exemplo, com o derretimento das calotas polares, ondas de calor excepcionais, chuvas diluvianas e temporadas recordes de furacões, como a última no Caribe.

A expectativa dos cientistas é que o pior ainda está por vir. Com o aquecimento já observado no planeta, houve uma multiplicação das catástrofes climáticas. Mas o aquecimento continua. E embora o Acordo de Paris preveja esforços para contar o aquecimento abaixo de 2°C e, se possível, a 1,5°C até o fim do século, os compromissos nacionais para reduzir as emissões estão longe de ser suficientes e conduzem para um aumento de pelo menos 3°C na temperatura.

De acordo com o Copernicus, a concentração de CO2 não parou de aumentar na atmosfera em 2020. Atingiu o "nível máximo sem precedentes" de 413 ppm (partes por milhão) em maio de 2020, apesar de a pandemia e a paralisia econômica global terem causado um queda recorde nas emissões de CO2 de 7%, segundo o Global Carbon Project.

“Enquanto as concentrações de dióxido de carbono aumentaram ligeiramente menos em 2020 do que em 2019, não podemos descansar sobre os louros. Enquanto as emissões globais líquidas não forem reduzidas a zero, o CO2 continuará a se acumular na atmosfera e causar novas mudanças climáticas”, alertou Vincent-Henri Peuch, chefe do Copernicus Atmosphere Watch Service.

“O CO2 se acumula na atmosfera como a água de uma banheira. Se você reduzir o fluxo da torneira em 7%, o nível sobe mais devagar, mas continua subindo. É preciso fechar a torneira para estabilizar o clima”, disse à France Presse Stefan Ramstorf, do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático.

A Europa registou o ano mais quente, com +0,4ºC em relação a 2019 e +1,6ºC em relação ao período de referência 1981-2010. A temperatura estava mais de 2,2ºC acima do período pré-industrial.

Na região do Ártico, especialmente na Sibéria, o ano passado também foi marcado por uma temporada de incêndios florestais "excepcionalmente dinâmica", liberando 244 megatons de CO2, ou seja, "mais de um terço do que o recorde de todo o 2019". / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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