Annan é cético sobre acordo climático em Copenhague

O ex-secretário-geral das Nações Unidas e prêmio Nobel da Paz de 2001 Kofi Annan manifestou hoje certa dose de ceticismo a respeito de três dos mais importantes temas internacionais da atualidade - a cúpula do meio ambiente de Copenhague, a reforma do Conselho de Segurança (CS) e as negociações pela paz no Oriente Médio.

RENATA DE FREITAS, Agencia Estado

24 Novembro 2009 | 17h35

"Não podemos nos dar ao luxo de fracassarmos em Copenhague", afirmou Annan em palestra a empresários, em São Paulo. Apesar do alerta, ele admitiu que a cúpula sobre o aquecimento global tende a resultar apenas numa proposta de acordo incluindo questões muito elementares como o nível de aumento da temperatura mundial.

Annan espera que países em rápido desenvolvimento, como Brasil e China, apresentem propostas para conter emissões e que seja tratado do fundo para compensar países menores.

Nova ordem global

Quanto à modernização do Conselho de Segurança, que ele havia defendido quando esteve à frente da ONU, Annan vê dificuldades em convencer os membros permanentes - Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia. O Brasil ambiciona um assento permanente no Conselho.

"Tenho ouvido alguma abertura para que se incluam outros países, mas não será fácil", comentou durante evento organizado pelo grupo de representação empresarial Lide. A proposta apresentada por Annan era de ampliar o número de membros permanentes - mais duas vagas para a Ásia, duas para a África e uma para a América Latina.

Na opinião de Annan, é preciso considerar que a América Latina não está representada, que a Índia deve se tornar o país com a maior população do mundo e que o Japão é o segundo principal contribuinte da ONU. Essa mudança, avaliou o ex-secretário, faria com que o Conselho passasse a ser encarado como tendo mais legitimidade.

Finalmente, sobre as tentativas de mediação da paz no Oriente Médio, Annan descartou a possibilidade de uma "fórmula mágica" como chegou a ser sugerida em uma pergunta da plateia. Ele lembrou que o mais perto que se chegou de um acordo foi com a mediação do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, em 2000.

Annan considera que Israel terá que escolher entre ser um país menor, abrindo mão de terras reclamadas pelos palestinos, ou um país maior mas com constantes conflitos. "Será muito difícil e não há fórmula mágica", afirmou. E, num tom de esperança, declarou: "Acredito que a animosidade entre povos não deve durar para sempre."

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