Animais são capazes de acompanhar compassos de uma música, diz estudo

Senso de ritmo ajuda os animais a distinguir sons de diferentes fontes e sincronizar seus movimentos, melhorando a percepção

Anna Newby, SLATE

19 Fevereiro 2014 | 17h57

Animais dançando não fazem apenas sensação em vídeos que se tornam virais. Eles também são objeto de pesquisas científicas sérias. Na conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência em Chicago, no fim de semana, um painel discutiu a capacidade de alguns animais de marcar os compassos de uma música.

A sessão, intitulada “Treinamento Rítmico de Animais não humanos: uma trajetória evolucionária da percepção de tempo”, contou com especialistas em psicologia, neurociência, neurobiologia, linguagem e inteligência. De acordo com uma sinopse da sessão, com novos estudos “que prometem uma compreensão cada vez maior da trajetória evolucionária da percepção e cognição da dinâmica temporal, agora finalmente temos oportunidade de entender o que está por trás de todos esses vídeos de pássaros dançando”.

O senso de ritmo ajuda os animais a distinguir sons de diferentes fontes e sincronizar seus movimentos, melhorando a percepção graças aos períodos de relativo silêncio.

Segundo Aniruddh Patel, membro do painel e neurocientista cognitivo na Universidade Tufts, nos humanos o ritmo musical ativa uma ampla rede de regiões auditivas e de planificação motora do cérebro. Sabemos que estruturas como os gânglios da base são importantes para o senso de ritmo, e áreas do córtex parietal ajudam a coordenar diferentes regiões do cérebro. Atividades cerebrais similares foram observadas em outros animais.

Os pesquisadores agora demonstram especificamente a capacidade das cacatuas, dos bonobos, dos leões marinhos e outros aninais não só de sentir o ritmo da música e acompanhá-la, mas adaptar seus movimentos quando há uma mudança de compasso. Peter Cook, bolsista pós-doutorado na Emory University, que observou detidamente o leão marinho Ronan dançando, escreve que “os mecanismos neurais que sustentam a manutenção do ritmo flexível podem estar muito mais amplamente distribuído pelo reino animal do que se acreditava anteriormente”.

Estudos com o leão marinho são particularmente interessantes. Durante anos os cientistas achavam que o “treinamento rítmico” dos animais (a capacidade de sincronização com uma batida externa) estava necessariamente associado com a capacidade vocal de imitar sons. Os leões marinhos são bastante limitados em termos de sons que conseguem produzir, o que “era um problema de fato para a teoria com base n a qual a imitação vocal seria uma precondição necessária para o treinamento rítmico”, disse Peter Cook.

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