Análise: Viagem ao Nordeste não deve ser cancelada, mas vale ficar de olho

O setor de turismo não deve sentir variações em reservas e cancelamentos nesse primeiro momento. Afinal, viagens de férias costumam ser planejadas com meses de antecedência e cancelar implica arcar com prejuízo financeiro

Adriana Moreira* - O Estado de S.Paulo

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar por R$ 0,99

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar por R$ 0,99

Você leu 4 de 5 matérias gratuitas do mês

ou Assinar por R$ 0,99

Essa é sua última matéria grátis do mês

ou Assinar por R$ 0,99

As manchas de óleo que surgiram nas praias do Nordeste este mês não causaram grande impacto no turismo da região – ainda. Sem saber exatamente de onde vem o petróleo cru e se o número de faixas de areia atingidas deve aumentar ou diminuir, fica difícil fazer uma projeção. Com o caso cercado de dúvidas, o setor não deve sentir variações em reservas e cancelamentos nesse primeiro momento. Afinal, viagens de férias costumam ser planejadas com meses de antecedência e cancelar, principalmente em cima da hora, implica arcar com prejuízo financeiro.

As primeiras manchas foram identificadas no dia 2, desde então, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Marinha do Brasil investigam a situação. Foto: Ibama

De fato, não vale a pena para o turista que tem viagem marcada para o Nordeste mudar de planos agora. As operadoras e agências costumam ter planos B – se uma praia não está em boas condições, sempre é possível visitar outra, fazer um passeio alternativo, curtir a piscina do hotel. No entanto, se o problema persistir, é possível que a longo prazo o número de reservas caia nas praias mais atingidas. A pouco mais de dois meses do início da alta temporada, quem ainda está decidindo para onde viajar pode preferir outro destino, no qual não haja riscos. Ainda é cedo para saber. Mas o setor precisa estar em alerta. Além do mercado nacional, o Nordeste também recebe um grande número de turistas estrangeiros, estimulados por voos diretos que chegam principalmente a Fortaleza, Recife e Natal.

Não dá para desassociar turismo e meio ambiente. Sabemos que o excesso de turistas pode causar danos  ambientais, trazer especulação imobiliária, modificar o modo de vida de toda uma população. Por outro lado, quando as praias estão sujas, os rios poluídos e os corais mortos, os turistas se vão. Eles continuam viajando, mas trocam de destino. E o impacto para a economia local é direto.

Os primeiros a perceber são os pequenos comerciantes, muitos deles informais, que usam o turismo como fonte ou complemento de renda. Jangadeiros, ambulantes, pescadores, restaurantes pequenos, pousadas familiares são os primeiros a sentir as consequências. Por isso, é importante que os governos, prefeituras, associações e empresários se unam para melhorar a fiscalização não apenas num caso de grandes proporções como o do vazamento de petróleo, mas também no dia a dia. O turismo depende disso. 

*ADRIANA MOREIRA É EDITORA DO CADERNO 'VIAGEM'

Mancha de óleo atinge praias do Nordeste

1 | 7 De acordo com o Ibama, o número de animais afetados com o vazamento subiu para dez – nove tartarugas e uma ave – dos quais sete estão mortos. Ainda segundo o Ibama, por enquanto, não há contaminação de peixes e crustáceos ao longo do litoral nordestino. Foto: Ibama
2 | 7 A lista de locais atingidos pela substância química não para de crescer e nesta quinta-feira, 26, espalhava-se por pelo menos 45 praias e 99 pontos nos Estados de Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Foto: Ibama
3 | 7 As primeiras manchas foram identificadas no dia 2, desde então, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Marinha do Brasil investigam a situação. Foto: Ibama
4 | 7 Com causa indefinida até o momento, um vazamento de petróleo cru compromete mais de 1.500 quilômetros do litoral do Nordeste. Foto: Ibama
5 | 7 A Marinha enviou material para o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, no Rio de Janeiro, mas não havia resultados até esta quinta-feira. Foto: Ibama
6 | 7 Sergipe. Os responsáveis pelo vazamento de petróleo no litoral nordestino não foram identificados. Foto: Adema/Governo de Sergipe
7 | 7 Manchas de óleo apareceram no litoral de Sergipe, nos municípios de Pacatuba e Pirambu. Foto: Adema/Governo de Sergipe

Praias afetadas

Veja a lista de praias do Nordeste atingidas pelo vazamento de petróleo

Tudo o que sabemos sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato