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Análise: Viagem ao Nordeste não deve ser cancelada, mas vale ficar de olho

O setor de turismo não deve sentir variações em reservas e cancelamentos nesse primeiro momento. Afinal, viagens de férias costumam ser planejadas com meses de antecedência e cancelar implica arcar com prejuízo financeiro

Adriana Moreira*, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 07h00

As manchas de óleo que surgiram nas praias do Nordeste este mês não causaram grande impacto no turismo da região – ainda. Sem saber exatamente de onde vem o petróleo cru e se o número de faixas de areia atingidas deve aumentar ou diminuir, fica difícil fazer uma projeção. Com o caso cercado de dúvidas, o setor não deve sentir variações em reservas e cancelamentos nesse primeiro momento. Afinal, viagens de férias costumam ser planejadas com meses de antecedência e cancelar, principalmente em cima da hora, implica arcar com prejuízo financeiro.

De fato, não vale a pena para o turista que tem viagem marcada para o Nordeste mudar de planos agora. As operadoras e agências costumam ter planos B – se uma praia não está em boas condições, sempre é possível visitar outra, fazer um passeio alternativo, curtir a piscina do hotel. No entanto, se o problema persistir, é possível que a longo prazo o número de reservas caia nas praias mais atingidas. A pouco mais de dois meses do início da alta temporada, quem ainda está decidindo para onde viajar pode preferir outro destino, no qual não haja riscos. Ainda é cedo para saber. Mas o setor precisa estar em alerta. Além do mercado nacional, o Nordeste também recebe um grande número de turistas estrangeiros, estimulados por voos diretos que chegam principalmente a Fortaleza, Recife e Natal.

Não dá para desassociar turismo e meio ambiente. Sabemos que o excesso de turistas pode causar danos  ambientais, trazer especulação imobiliária, modificar o modo de vida de toda uma população. Por outro lado, quando as praias estão sujas, os rios poluídos e os corais mortos, os turistas se vão. Eles continuam viajando, mas trocam de destino. E o impacto para a economia local é direto.

Os primeiros a perceber são os pequenos comerciantes, muitos deles informais, que usam o turismo como fonte ou complemento de renda. Jangadeiros, ambulantes, pescadores, restaurantes pequenos, pousadas familiares são os primeiros a sentir as consequências. Por isso, é importante que os governos, prefeituras, associações e empresários se unam para melhorar a fiscalização não apenas num caso de grandes proporções como o do vazamento de petróleo, mas também no dia a dia. O turismo depende disso. 

*ADRIANA MOREIRA É EDITORA DO CADERNO 'VIAGEM'

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