Michael Kappeler/PoolPhoto/AP
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Análise: Há promessas, mas os sete ainda não fazem a sua parte

'A declaração do G-7, de que pretende descarbonizar a economia até o fim do século, não reflete o que está sendo feito na prática'

Carlos Rittl, O Estado de S. Paulo

09 Junho 2015 | 03h00

A declaração do G-7, de que pretende “descarbonizar” a economia até o fim do século, é politicamente importante, mas não reflete o que está sendo feito na prática. Dias antes da reunião do grupo na Baviera, foi veiculada uma análise do conjunto das metas de redução de emissões colocadas na mesa até agora pelos sete países e União Europeia. Se a declaração sugere que os países mais ricos estão dispostos a fazer sua parte, a análise feita por um grupo de organizações de pesquisa chamado Climate Action Tracker, indica que eles ainda não estão fazendo. Enquanto as negociações andam a passo lento, os compromissos propostos não permitem que sejamos muito otimistas.

É importante que a cúpula tenha anunciado que vai transformar os setores energéticos, mas precisamos ver essa disposição concretizada em uma maior ambição e em compromissos mais rigorosos. Além disso, transformar os setores energéticos deveria significar eliminar progressivamente as fontes fósseis de energia, das quais aqueles países ainda dependem muito - é preciso detalhar se e como isso será feito.

A declaração é positiva também por mostrar uma certa prioridade na agenda do desenvolvimento voltada para o combate ao aquecimento global, mas a realidade exige mais do que palavras. É preciso preencher a lacuna entre o discurso e a realidade, entre o que a ciência recomenda e o que os países estão propondo. A redução das emissões entre 40% e 70% até 2050, anunciada pelo G-7, em tese se sustenta em cenários do IPCC. Mas nesses cenários seria preciso retirar muito carbono da atmosfera na segunda metade deste século e, para isso, seriam necessárias tecnologias que hoje nem sequer estão disponíveis.

A “descarbonização” - isto é, a eliminação das emissões de gases de efeito estufa - não pode esperar até o fim do século 21. É preciso que essa mudança seja feita até o meio do século. Chegar a 2050 com altas emissões significa reduzir nossas chances de conseguir gerenciar os impactos da mudança climática global. Se essas mudanças forem ignoradas, vamos condenar o mundo a momentos de muita dificuldade, com mais eventos extremos, mortes e perdas de centenas de bilhões de dólares.

CARLOS RITTL É SECRETÁRIO EXECUTIVO DO OBSERVATÓRIO DO CLIMA

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