Ambientalistas usam vazamento como grito

Catástrofe é encarada como oportunidade de maior mobilização, afirmam ativistas de outras causas ambientais nos Estados Unidos

Kate Galbraith, The New York Times

21 Junho 2010 | 18h17

O vazamento de petróleo no Golfo do México foi declarado a pior catástrofe ambiental dos EstadosUnidos. Mas, para ambientalistas americanos, a agonia pode significar oportunidade. "Como diz Rahm Emanuel, um desastre é uma coisa terrível de se desperdiçar", disse Zygmunt Plater, professor de Direito do Boston College, parafraseando um comentário de 2008 do chefe de gabinete da Casa Branca sobre a crise econômica em curso.

 

Os ambientalistas, por sua vez, esperam que o país dê mais atenção a questões verdes após a devastação no golfo. Alguns grupos já usam o vazamento como grito de mobilização. Luke Metzger,diretor da Environment Texas, disse que os avaliadores de sua ONG mudaram seus esforços de arrecadação de fundos para uma remota cordilheira de montanhas para insistir na proibição de novas perfurações offshore.

 

Outra organização ambientalista, American Rivers, anuncia mais atenção a questões de terras alagáveis em geral, apesar de o petróleo ter vazado no mar, não em rios. "As pessoas estão mais sintonizadas nas questões ambientais, em particular no que diz respeito à água limpa", disse Amy Souers Kober, portavoz da organização.

 

Há um porém: outras causas ambientais poderiam ficar sem atenção. Nos últimos 50 dias, mais ou menos, o vazamento de petróleo dominou as manchetes, os programas noticiosos e até os programas humorísticos (o comediante Stephen Colbert sugeriu recentemente que o Golfo do México fosse renomeado MarNegro). Outras questões poderiam ser desconsideradas.

 

Os EUA têm reputação de retardatários em questões ambientais. Os tratados que eles assinaram, mas nunca ratificaram, incluem a Convenção sobre Diversidade Biológica; a Convenção sobre Poluentes Orgânicos Persistentes de Estocolmo; a Convenção de Roterdã, relacionada ao uso de pesticidas e químicos perigosos; e, é claro, o Protocolo de Kyoto, assinado por Bill Clinton, mas desprezado por George W. Bush e pelo Senado.

 

De certa maneira, o foco sobre o vazamento nos dois últimos meses se compara à atenção constante à mudança climática dos últimos anos. Como no caso do vazamento de petróleo, surgiram preocupações de que a mudança climática havia provocado o abandono de outras causas.

 

"Como biólogo de conservação, fico constantemente frustrado com toda atenção dada às mudanças climáticas pela mídia e os políticos", escreveu Reed Noss, professor da Universidade da Flórida Central, no Conservation Northwest Quarterly em 2007. Ele insistiu num foco mais intenso sobre a fragmentação dos hábitats de vida selvagem – em outras palavras, o hábito dos homens de construir casas e estradas quase por toda parte.

 

Quanto ao vazamento no golfo, Platter sugere que ele pode se tornar um "toque de despertar" para causas ambientais em geral.

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