Ambientalistas querem adiar discussão sobre alterações no Código Florestal

ONGs temem que mudanças na legislação sejam usadas como moeda de troca no período eleitoral

Agência Brasil

07 Abril 2010 | 12h09

Parlamentares ambientalistas e organizações não governamentais defenderam nesta terça-feira, 6, o adiamento da discussão sobre alterações no Código Florestal para 2011, após as eleições. No entanto, se depender do relator da Comissão Especial da Câmara que analisa as mudanças, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o assunto deve ser encerrado antes de outubro.

 

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Rebelo disse que pretende apresentar seu relatório ainda este mês. "Os ambientalistas têm todo o tempo do mundo, os produtores rurais não. Eles têm uma safra todo ano para colher. A safra dos produtores rurais não depende da ajuda dos governos europeus, depende do trabalho deles, ao contrário dos ambientalistas", disse.

 

ONGs e parlamentares da Frente Ambientalista temem que a mudança na legislação ambiental em época de eleições seja usada como moeda de troca por parlamentares ligados ao agronegócio para garantir apoio em suas bases.

 

"A bancada ruralista permeia toda a base aliada. Podem chantagear o governo e têm enorme pode de fogo", argumentou o deputado Ivan Valente (P-SOL-SP), após participar de audiência pública da comissão especial.

 

Bate-boca

 

O debate terminou mais uma vez em bate-boca. O deputado Sarney Filho (PV-MA) se irritou quando o colega Anselmo de Jesus (PT-RO), que presidia a sessão, disse que ia encerrar a audiência por causa de uma reunião fechada para discutir o relatório de Aldo Rebelo.

 

"Essa reunião é excludente ou é aberta para os outros deputados?", questionou Sarney Filho. "Não vou pegar ninguém no colo para levar para reunião. Não é uma reunião pública, é uma obrigação nossa, que andamos esses estados todos, e não de outros que nem descolaram a bunda da cadeira", respondeu Anselmo de Jesus.

 

Coube ao ruralista Moacir Micheletto (PMDB-PR), presidente da comissão, acalmar os ânimos. "Será uma reunião eminentemente técnica. Fiquem tranquilos porque nada está sendo feito nos subterrâneos", disse.

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