Alimentação de 1,6 bi de asiáticos ameaçada por aquecimento

Apesar do avanço da mudança climática, 70% dos homens afirmaram não estarem dispostos a mudar estilo de vida

Efe e Reuters,

02 Setembro 2009 | 14h41

A segurança alimentar de cerca de 1,6 bilhões de habitantes do Sul da Ásia está ameaçada por causa das secas, as chuvas torrenciais e outros efeitos da mudança climática, advertiu nesta quarta-feira, 2, o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD).

 

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Em um relatório, a instituição financeira com sede em Manila, identifica o Afeganistão, Bangladesh, Índia e Nepal, como os países mais vulneráveis a essa crise alimentícia que pode suscitar o desaparecimento de campos de cultivos a consequência da mudança climática. "A vulnerabilidade do Sul da Ásia à mudança climática tem implicações extremamente sérias para a agricultura e, portanto, também na segurança alimentar", assinala o BAD.

 

Segundo o estudo, estes quatro países do sul do Ásia e especialmente os que têm uma alta densidade de população como Índia e Bangladesh, verão reduzida de forma notável a extensão de cultivos e a água durante as próximas quatro décadas.

 

De continuar a atual tendência, antes 2050 a produção de arroz cairá 10%, enquanto a de trigo, 12%, e a de milho registrará uma redução de 17% , de acordo aos dados recolhidos pelo estudo. "A escassez de comida provocará uma alta dos preços e reduzirá o consumo de calorias por parte da população de toda a região", aponta a instituição bancária.

 

O estudo sobre os efeitos da mudança climática na segurança alimentar no Sul da Ásia segue o apresentado em abril passado pelo BAD no qual alertava que a região que padecerá graves perdas econômicas se não freia os efeitos do aquecimento global.

 

Então, o BAD avisou que se continuava a atual inércia para fazer frente ao fenômeno, as perdas poderiam supor até 6% do Produto Interno Bruto (PIB) de países como as Filipinas, Indonésia, Tailândia ou Vietnã.

 

A segurança alimentar se verá ameaçada pela queda na produção de arroz, o aumento do nível do mar obrigará a deslocar a milhares de residentes de ilhas e zonas litorâneas, e cada vez mais pessoas serão vulneráveis a doenças como o dengue ou a malária, segundo a instituição multilateral.

 

O BAD aconselhou aos Governos lutar contra o aquecimento global e a atual crise econômica por meio de programas de estímulo que também levem em conta a redução de emissões poluentes e a pobreza.

 

O relatório do BAD cita como setores-chave a melhora dos sistemas de tratamento de água e irrigação, otimização de cultivos, economia energética, proteção de florestas e preservação dos recifes de coral para garantir as atividades de pesca. Realizando estas e outras medidas, os países do Sudeste Asiático serão capazes de reduzir o nível de suas emissões em 40% antes de 2020.

 

Estilo de vida

 

Apesar de todos os perigos apresentados pelo avanço do aquecimento global, as pessoas não estão dispostas a fazer mudanças radicais no estilo de vida como abrir mão de viagens aéreas ou de carne vermelha para reduzir os efeitos da mudança climática, mostrou uma pesquisa realizada pela Reuters.

 

O incentivo às pessoas para que mudem seus estilos de vida será crucial para garantir o corte nas emissões de gases causadores do efeito estufa, dizem especialistas. Neste mês, líderes mundiais se encontram em Nova York para outra rodada de negociações contra a mudança climática.

 

Mais de 40% do dióxido de carbono emitido pela Grã-Bretanha vem da energia usada em casa ou em viagens.  A enquete com 15 homens e 15 mulheres britânicas com idades entre 25 e 75 anos, realizada no centro de Londres, mostrou que todos estão dispostos a fazer pequenas mudanças para preservar o meio ambiente, como a reciclagem. Mas poucos se comprometeriam com mudanças fundamentais de comportamento.

 

"Eu tento minimizar o uso do carro, mas não abriria mão dele", disse Emerald Wijesinthe, de 42 anos.

"Sabemos, a partir de várias evidências na psicologia social, clínica e de personalidade, que as pessoas geralmente não gostam de mudar suas identidades - elas preferem estabilidade", disse Tim Kasser, professor de psicologia no Knox College, em Illinois.

 

Todas as mulheres entrevistadas na enquete dizem que tentam reduzir o uso de energia, contra 60% dos homens. 70% dos homens afirmaram ainda não estarem dispostos a mudar o estilo de vida, contra apenas 10% das mulheres.

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