Beto Barata/PR
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Al Gore elogia liderança do Brasil na questão climática

Nesta quarta, o número de país que ratificaram o tratado subiu para 60, o que eliminou uma das duas barreiras para sua implementação

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2016 | 23h19

NOVA YORK - O presidente Michel Temer recebeu, nesta quarta-feira, 21, um telefonema do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, um dos principais defensores de ações para o enfrentamento da mudança climática. A conversa ocorreu após cerimônia na Organização das Nações Unidas (ONU), em que países comunicaram a ratificação do Acordo de Paris. 

Na conversa, articulada pelo ex-deputado federal Alfredo Sirkis, Gore elogiou a liderança do Brasil na questão climática e a rapidez pela qual o acordo foi ratificado pelo Congresso. O Brasil ratificou o tratado em menos de dois meses. Segundo Sirkis, o Brasil foi a primeira grande democracia a obter a confirmação do acordo no Parlamento.

O ex-vice presidente dos EUA disse que o Acordo de Paris é resultado de um processo que teve início no Brasil com a Rio 92. Gore elogiou a liderança global do País nessa área e disse que está disposto a colaborar com o governo Temer no avanço da agenda climática.

A possibilidade de que o Acordo de Paris entre em vigor antes do fim do ano ficou mais próxima nesta quarta, quando o número de país que ratificaram o tratado subiu para 60, o que eliminou uma das duas barreiras para sua implementação. Nos próximos meses, a segunda deve ser superada, com a chancela do acordo por nações que respondem por ao menos 55% das emissões globais.

"Eu estou confiante de que, no momento em que eu deixar o cargo, o Acordo de Paris terá entrado inteiramente em vigor", disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, depois de cerimônia em que 31 países comunicaram a entidade que haviam ratificado o tratado, elevando o total a 60. Seu mandato à frente da ONU termina no dia 31 de dezembro.

Para entrar em vigor, o acordo precisa ser ratificado por ao menos 55 países que representem no mínimo 55% das emissões globais que provocam efeito estufa. Os países que já comunicaram a ratificação à ONU representam 47,5% das emissões. A expectativa da organização multilateral é que os 7,5% restantes sejam obtidos antes do fim do ano. A União Europeia, que responde por 10% das emissões, deverá ratificar o tratado em outubro. Os dois maiores poluentes do mundo, China e Estados Unidos, adotaram a decisão de maneira conjunta no início de setembro.

Austrália, Coreia do Sul, Polônia, Nova Zelândia e Casaquistão estão entre os países que se comprometeram a adotar a medida antes de 2017. "Isso significa que vamos cruzar a barreira final para a entrada em vigor do Acordo de Paris", ressaltou o secretário-geral da ONU. O tratado estabelece metas de redução das emissões de gases que provocam efeito estufa, com o objetivo de limitar o aquecimento global a no máximo 2ºC. 

A eleição presidencial americana e a possibilidade de vitória do republicano Donald Trump aumentaram a pressão internacional para a entrada em vigor do tratado ainda neste ano. O bilionário nega a existência do aquecimento global, defende o uso de combustíveis fósseis e promete abandonar o Acordo de Paris, caso seja eleito. Mas se o tratado entrar em vigor antes de 2017, o próximo governo dos EUA só poderá se retirar ao fim de um período de quatro anos.

Se entrar em vigor neste ano, o Acordo de Paris baterá um recorde de tempo de implementação de tratados internacionais no âmbito da ONU. Em entrevista depois da cerimônia, Ban Ki-moon ressaltou que apenas nove meses se passaram desde a aprovação do acordo, em dezembro. "Isso é um testemunho da urgência da crise que enfrentamos", declarou. O tratado foi assinado na ONU em abril, com a participação do maior número de líderes globais em eventos desse tipo da história da entidade.

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