Thierry Roge/Reuters
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Ajuda contra mudanças climáticas tem de incluir Brasil, diz ONU

Yvo de Boer afirma que grandes países em desenvolvimento também devem receber verba do fundo do clima

Eric Brücher Camara, BBC

08 Dezembro 2009 | 16h12

Em mais um capítulo na polêmica sobre o financiamento de ações contra mudanças climáticas em países em desenvolvimento, o secretário-executivo das Nações Unidas para o clima, Yvo de Boer, defendeu nesta terça-feira que os países mais abastados do grupo - Brasil, China e Índia - também devem ter acesso aos fundos.

Existe uma corrente entre negociadores das nações ricas que defende a exclusão destes países do grupo dos em desenvolvimento, por terem saído "fortalecidos" da crise econômica mundial.

"O dinheiro deve ser concentrado em projetos em todos os países pobres e em desenvolvimento. Os grandes países (em desenvolvimento) também devem ter acesso, mas isso vai depender de cada projeto apresentado", afirmou Boer.

No entanto, o negociador da União Europeia, Arthur Runge-Metzger confirmou que a primeira opção da União Europeia é repassar recursos públicos aos países mais pobres, já que economias emergentes como Brasil e China já estariam recebendo a maior parte dos recursos levantados com créditos de carbono.

 

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"Por que deveríamos dar mais dinheiro a estes países se eles já recebem grande parte dos projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo)? Talvez seja melhor você perguntar o que os países mais pobres acham disso", respondeu o negociador a uma jornalista brasileira na entrevista coletiva do bloco.

Posição brasileira

Na segunda-feira, o negociador-chefe do Brasil, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, afirmou que o país não deixará de investir recursos próprios em ações de mitigação e adaptação - como projetos de Redd (redução de emissões por desmatamento e degradação).

"O financiamento tem que ser para todos os países, mas nós faremos mais e melhor se tivermos acesso a recursos internacionais", afirmou o diplomata.

Uma proposta ganhou força nos últimos encontros preparatórios antes da reunião de Copenhague é a criação de um fast start fund, ou seja, um fundo de acesso rápido no valor de US$ 10 bilhões por ano nos próximos três anos, para auxiliar os países mais pobres a lidar com os efeitos do aquecimento global.

Para o Brasil, este tipo de mecanismo também não seria aceitável sem que seja acompanhado de uma contrapartida de longo prazo.

"Não é possível sairmos daqui com um financiamento de curto prazo", afirmou Figueiredo.

'Acordo dinamarquês'

O clima de desconfiança entre países ricos e em desenvolvimento se aprofundou no segundo dia da conferência sobre o clima nesta terça-feira com a publicação pelo jornal britânico The Guardian de um documento que teria sido elaborado por líderes dinamarqueses, americanos e britânicos, entre outros.

Neste rascunho de uma declaração a ser assinada ao fim do encontro, fica patente a intenção de separar Brasil, China e Índia dos países mais pobres, além de introduzir metas de emissões obrigatórias para estes países.

Várias das propostas incluídas no documento indicam um afastamento dos princípios que norteiam o Protocolo de Kyoto, cujo primeiro período de validade vai até 2012.

Um observador do processo disse à BBC Brasil que em resposta ao documento dinamarquês, a China e outros países elaboraram um outro rascunho de acordo. No entanto, ele teria sido considerado "fraco" pelos negociadores brasileiros.

A delegação brasileira considera "inadmissível" o abandono dos princípios e mecanismos consagrados no Protocolo de Kyoto.

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