Filipe Araújo/AE
Filipe Araújo/AE

Agroecologia, floresta e cachoeira. Em plena capital

Guia revela as belezas naturais da zona sul paulistana que a população desconhece

Tânia Rabello, especial para O Estado de S. Paulo,

29 Agosto 2012 | 07h00

 Na propriedade rural e com certificação orgânica de José Geraldo Batista Santiago, o Zé Mineiro, os visitantes podem tomar garapa extraída na hora do canavial, comprar rapadura e provar a cachaça feita ali. Tudo orgânico. Já no pequeno sítio de Valéria Macoratti, as hortaliças, também cultivadas sem adubos sintéticos e agrotóxicos, são excelente atrativo para turistas interessados em ter a experiência de colher o próprio alimento, além, é claro, de contar com a hospitalidade da agricultora, que prepara um delicioso café da manhã, orgânico, para quem chegar por ali.

Se o visitante quiser conhecer um pouco das plantas da Mata Atlântica e comer frutas direto do pé, também pode marcar um passeio com José da Silva, ou o Zé da Floresta, outro produtor cuja horta e pomar fazem divisa com uma exuberante floresta. Dá também para visitar a aldeia indígena dos guarani e se banhar em várias cachoeiras, além de fazer um passeio de balsa na represa.

Todas essas atrações não ficam “a alguns quilômetros da capital paulista”. Elas ficam na capital paulista. Mais precisamente nos extremos da zona sul, nas subprefeituras de Capela do Socorro e Parelheiros. Estes e vários outros pontos turísticos acabam de ser relacionados no guia Ecoturismo e Agroecologia no Extremo Sul de São Paulo, elaborado pela Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da São Paulo Turismo, e da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, e também pelo Instituto Kairós – Ética e Atuação Responsável.

Lançamento. O guia está disponível gratuitamente na internet, bastando escrever nos sites de busca o seu nome completo. Será lançado oficialmente neste sábado, dia 1.º, em Parelheiros, juntamente com a inauguração da Casa do Rosário – associação cultural e socioambiental, que trará uma exposição de 11 artistas.

Pousadas. Conforme explica um dos membros do Kairós, Arpad Spalding, foram impressos 6 mil exemplares para distribuição gratuita em agências de turismo e pousadas da região e escolas. “O guia surgiu para transmitir uma visão ampla e positiva da zona sul paulistana”, diz Spalding.

E surpreendente. Folhear as páginas do guia e se deparar com fotos de rios sombreados por uma densa mata; cachoeiras, índios, represas, macacos e onças-pardas, e até a imagem de uma cratera, a Cratera de Colônia – resquício do impacto de um meteorito, há milhões de anos – no bairro de colonização alemã, pode beirar o realismo fantástico para os paulistanos, tão acostumados à paisagem de concreto. E mais: dos extremos da Serra do Mar paulistana dá para ver o litoral, no Mirante Curucutu.

Inserida em duas Áreas de Proteção Ambiental (APAs), a Capivari-Monos e a Bororé-Colônia, além do Parque Estadual da Serra do Mar, e abrigando duas grandes represas, a Billings e a Guarapiranga, a zona sul paulistana acaba sendo mais conhecida por seus problemas – principalmente as ocupações irregulares – do que por suas belezas naturais.

Visão positiva. “A região é muito malvista e o guia de agroecologia e ecoturismo mostra esse outro lado de uma região que está dentro do município de São Paulo e tem cachoeira, onça, macaco e animais ameaçados de extinção, que vivem lá e muito bem. Isso não faz parte do imaginário do paulistano”, acrescenta Spalding, do Kairós.

Tradições culturais e religiosas da região também constam no guia, com dicas de passeios para as aldeias Tenondé-Porã e Krukutu, dos índios guarani; o Centro de Cultura Afro-Brasileira Ase Ylê do Hozooane, a própria Casa do Rosário; o templo budista Quan-Inn e o Solo Sagrado Guarapiranga, da Igreja Messiânica.

O guia vai na linha, enfim, do “conhecer para preservar”. E preservação é essencial numa área de mananciais responsáveis pelo abastecimento de 30% da água que o paulistano consome. A agricultora Valéria concorda: “Dá para cultivar a terra, ter um modo decente de vida por aqui, sem poluir, e ainda ajudando a proteger os mananciais”, afirma ela, que se mudou do Grajaú, também na zona sul, para Parelheiros e há dois anos montou sua horta orgânica, junto com a sócia, Vânia dos Santos.

Atualmente, oito pousadas e quatro agências de turismo, além de um posto de informações turísticas instalado em Parelheiros, todos relacionados no guia, dão assistência aos interessados em conhecer melhor a própria cidade.

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