Agricultura familiar faz a diferença em São José dos Campos

Mãos no verde, pés na terra, coração que pulsa com a natureza. Assim vivem os pequenos produtores de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Agricultores que passam de geração a geração técnicas que permitem o cultivo em harmonia com o meio ambiente, capaz de recuperar matas e águas. O sistema de produção dos pequenos agricultores tem muito a ensinar, segundo Djalma Nery, integrante da Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA) de São Carlos. De acordo com ele, a agroecologia é uma das raízes da sustentabilidade, ao propor técnicas simples para a preservação da água, como a cobertura do solo e o cuidado com a mata nativa. Além de economizar no consumo, a agroecologia procura respeitar o ciclo das águas. Um fenômeno que o produtor de arroz Altamir Bastos conhece bem. “A água utilizada na irrigação do arroz orgânico volta para a natureza mais limpa do que antes”, diz o agricultor. “O modelo agroecológico recupera o meio ambiente.” A mesma consciência ambiental, aliada à sabedoria popular, é demonstrada por Valdir Martins, que nasceu em meio ao verde e dele tira seu sustento. “Trabalhamos em conjunto com a natureza. Conservamos recursos, estudamos e conhecemos as águas desde criança. Nossa forma de produzir é cultural”, explica Martins. E é essa agricultura familiar, de baixo impacto ambiental, que é responsável por 70% dos alimentos consumidos no País, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Há quatro anos, Bruno Pasqualetto deixou a profissão de farmacêutico para cultivar cogumelos no sítio da família. “Nesse processo, reutilizo tudo o que sobra. Os cogumelos nascem sozinhos e tiram a água do ambiente, do solo e do ar, não precisam de irrigação”, diz Pasqualetto, que também usa na propriedade água vinda de poços artesianos. Um alívio em tempos de crise hídrica no Sudeste. E uma grande diferença em relação às necessidades produtivas do agronegócio.  De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, cerca de 70% da água do mundo todo é hoje utilizada pelo agronegócio. * Emeline Domingues é aluna da Univap e finalista do 3º  Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

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