Agricultura emite mais de 50% de gases de efeito estufa no País

Ministro da Agricultura afirma que emissão pode reduzir com a adoção de práticas como o plantio direto

Célia Froufe, da Agência Estado,

11 Novembro 2009 | 12h16

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, admitiu nesta quarta-feira, 11, que a agricultura é responsável por mais de metade da emissão de gases de efeito estufa no Brasil. Ele informou, porém, que, em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, na última segunda-feira, relatou ao presidente que o setor conseguirá economizar mais de 160 milhões de toneladas desses gases por ano com adoção de práticas, como o plantio direto, desde que haja fontes de financiamento para os produtores. "Isso é sensacional", avaliou ele, durante Workshop Internacional de Créditos de Carbono para o Sistema Cooperativista, realizado pela Organização as Cooperativas Brasileiras (OCB).

 

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O ministro ressaltou que é preciso haver o reconhecimento pelos agricultores de que sua atividade é responsável pela emissão de carbono por conta da extensão territorial do País e da abrangência do setor. Ele citou como outros emissores importantes também a extração de carvão e de petróleo. "A questão é que, infelizmente, ainda não descobrimos outra forma de produzir se não pelo desmatamento. Por isso a Europa está careca", observou.

 

Stephanes mostrou-se satisfeito por ter sido chamado pelo presidente Lula para participar da posição brasileira em relação aos debates sobre mudanças climáticas. "Até dois meses atrás, a Agricultura não participava dos debates. Em São Paulo, o presidente puxou mais uma cadeira para o ministro da Agricultura também debater o tema", relatou.

 

Para ele, a importância do setor é tão grande em relação às discussões sobre as mudanças climáticas do planeta, que a agricultura poderá se transformar no centro dos debates. "A agricultura reconhece suas responsabilidades, mas tem a capacidade de fazer um bom trabalho nessa área", afirmou.

 

O ministro aproveitou a ocasião para comentar também impasses entre a agricultura e o meio ambiente. Ele voltou a criticar o fato de as atuais leis em vigor terem sido confeccionadas por apenas um dos lados envolvidos, o do meio ambiente. "Os produtores não foram ouvidos e muitos erros foram cometidos", resumiu. Stephanes também reafirmou que não defende a flexibilização do Código Florestal atualmente em vigor, mas que deseja a correção de pontos que, a seu ver, estão errados. "Se não for bem feito, isso poderá trazer grandes perdas para a agricultura", alertou.

 

O ministro voltou a apresentar números representativos dessas perdas caso o decreto presidencial que estabelece o início das sanções para os produtores em desconformidade com o Código Florestal comece a valer no próximo dia 11 de dezembro. Um deles é a redução em 15 milhões de toneladas de produtos no Paraná e outro, a possibilidade de desapropriação de 1 milhão de propriedades em todo o País. "Estes são dados que nenhum ambientalista contesta", disse.

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