Adaptação climática será 3 vezes mais cara do que ONU prevê

Os autores levaram seis meses para atualizar as estimativas da ONU, que foram revistas por sete especialistas

OLESYA DMITRACOVA, REUTERS

27 Agosto 2009 | 10h45

A adaptação do mundo aos efeitos da mudança climática, como secas e inundações, deve custar duas ou três vezes mais do que estima a ONU, de acordo com estudo divulgado nesta quinta-feira.  

 

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O Secretariado de Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) estima os custos da adaptação - itens como construção de casas mais elevadas para evitar inundações e combate a doenças causadas pelo aquecimento - em uma faixa de 40 a 170 bilhões de dólares por ano até 2030. A variação é tão grande devido ao grau de incerteza acerca de alguns dos custos.

A estimativa tem sido usada nas reuniões preparatórias para a cúpula de dezembro, em Copenhague, que deve resultar na aprovação de um novo tratado climático global.

"Se os governos estão trabalhando com números errados, podemos acabar com um acordo falso, que deixe de cobrir os custos da adaptação à mudança climática," disse Camillla Toulmin, diretora do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que publicou o estudo em conjunto com o Instituto Grantham para a Mudança Climática, do Imperial College, de Londres.

O relatório diz que o Secretariado Climático da ONU produziu suas cifras com muita pressa -"numa questão de semanas," segundo o autor Martin Parry - e abrangeu apenas parcialmente os setores incluídos.

Os autores levaram seis meses para atualizar as estimativas da ONU, que foram revistas por sete especialistas, entre eles os principais autores do estudo original da ONU. Essa nova estimativa não apresenta cifras definitivas.

"Só olhando em profundidade os setores que o Secretariado de Mudança Climática de fato estudou, estimamos que os custos de adaptação sejam duas a três vezes maiores, e, quando se incluem setores que o Secretariado de Mudança Climática deixou de fora, o custo real provavelmente é muito mais alto," disse Parry.

O novo relatório diz que a ONU deixou de fora setores como energia, turismo, ecossistemas, indústrias, varejo e mineração.

Parry disse que a maior parte dos custos para a adaptação à mudança climática recairá sobre os países em desenvolvimento, que são os mais afetados pelo problema. "Ninguém estimou isso, mas num chute seria de pelo menos dois terços (do custo total)," afirmou.

Os países mais pobres poderiam recorrer a um Fundo de Adaptação da ONU para arcar com parte dos gastos.

Esse fundo deve crescer de cerca de 80 milhões de dólares atuais para cerca de 300 milhões de dólares por ano até 2012 - ainda uma soma irrisória em relação àquilo que os países em desenvolvimento, a ONU, entidades humanitárias e os autores do novo estudo consideram ser necessário.

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