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Acuada, BP ameaça desistir de nova tentativa para conter vazamento de óleo

Com a ajuda de robôs submarinos, companhia injetará lama e cimento na boca do poço

Reuters

26 Maio 2010 | 08h47

WASHINGTON - Sofrendo crescente pressão do governo dos Estados Unidos para conter o vazamento de petróleo no fundo do Golfo do México, a British Petroleum alertou nesta terça-feira, 25, que uma nova tentativa de tapar o poço pode ser adiada ou mesmo abandonada.

 

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Com a ajuda de robôs submarinos, engenheiros pretendem injetar na quarta-feira fluidos pesados (tipo lama) na boca do poço, a 1.600 metros de profundidade, em mais uma complicada manobra para tentar conter o vazamento, que ameaça provocar graves prejuízos ambientais e econômicos.

 

Executivos da BP dizem repetidamente que essa tentativa de "sufocar" o vazamento é um processo complexo, nunca antes tentado a tamanha profundidade. Mas o governo Obama, sob pressão popular, está impaciente por resultados imediatos.

 

Antes de os engenheiros tentarem tampar o poço, cientistas farão testes para assegurar que o procedimento não sairá pela culatra, e que o vazamento não vai se agravar, disse o vice-presidente da BP, Kent Wells, a jornalistas. "O que aprendermos durante esta fase de diagnóstico será crucial para nós", disse Wells. Na segunda-feira, executivos disseram que a "sufocação" do poço tem apenas 60 a 70 por cento de chances de sucesso.

 

O vazamento começou em 20 de abril, quando a plataforma que perfurava o poço explodiu e afundou, causando 11 mortes. Desde então, o valor de mercado da empresa na Bolsa de Londres teve uma perda de cerca de 25%, ou US$ 50 bilhões.

 

Críticas da Casa Branca

 

O governo dos Estados Unidos passou semanas fazendo duras críticas à BP e, no domingo, o secretário de Interior, Ken Salazar, sugeriu que a empresa poderia ser afastada da tarefa se não conseguir estancar o vazamento rapidamente.

 

Nos últimos dias, no entanto, as autoridades pareceram recuar, já que precisam da tecnologia de águas profundas da BP para tentar consertar o problema, conforme lembrou Carol Browner, consultora de energia e clima do presidente Barack Obama.

 

A Casa Branca disse que Obama irá na sexta-feira à Louisiana avaliar as atividades, e que o governo já mobilizou mais de 1.200 embarcações e 22 mil funcionários para "uma das maiores reações a um evento catastrófico na história." O governo também declarou "desastre pesqueiro" na Louisiana, Mississippi e Alabama, os quais por isso poderão se beneficiar de assistência federal.

 

A BP diz que cerca de 800 mil litros de petróleo vazam por dia do poço, embora alguns cientistas estimem que a cifra pode ser até 20 vezes superior.

 

A empresa disse nesta terça-feira que, além de tentar "sufocar" o vazamento, está preparando outro método de controle, que consiste em desviar o petróleo para uma tubulação. Se esses métodos imediatos falharem, a alternativa será construir um poço auxiliar, o que iria levar meses.

 

A BP havia informado que desligaria um vídeo ao vivo que mostra o vazamento enquanto realiza os novos procedimentos na quarta-feira, mas confirmou mais tarde que manterá a transmissão.

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