Acordo será a chave para aprovar lei climática nos EUA

Senador americano defendeu fontes alternativas de energia como questão de segurança nacional

Richard Cowan, Reuters

16 Dezembro 2009 | 13h56

Se as negociações sobre mudanças climáticas em Copenhague vacilarem nesta semana, as chances para os Estados Unidos aprovarem sua lei doméstica sobre redução das emissões no Senado podem fracassar seriamente, disse o senador americano John Kerry nesta quarta-feira. "Com muito sucesso aqui em Copenhague, no ano seguinte, o Congresso dos Estados Unidos vai aprovar a legislação sobre clima e energia que irá reduzir as emissões da América", afirmou. 

 

Em um discurso que buscou incentivar os negociadores da COP e assegurar-lhes de que os Estados Unidos finalmente juntaram esforços para o acordo, Kerry acrescentou que o fracasso das negociações fará com que seja "extremamente difícil" para o governo apoiar uma lei doméstica sobre o clima. Kerry, que disputou as eleições presidenciais em 2004, está liderando os esforços para redigir a lei de mudança climática no Senado, onde o texto está paralisado há meses. 

 

Países em desenvolvimento acusam os Estados Unidos, um dos maiores emissores mundiais, de ainda não estarem comprometidos suficientemente com metas vinculativas para redução das emissões. Kerry tentou acalmar as preocupações em um discurso para um grupo da ONU, fazendo uma revisão das medidas já tomadas neste ano para o controle das emissões americanas. "Os Estados Unidos estão de volta e o presidente Barack Obama está chegando a Copenhague para colocar os Estados Unidos do lado direito da história ", assegurou. 

 

Obama se reúne com mais de 120 líderes de Estado na sexta-feira, na esperança de selar um acordo político sobre mudanças climáticas. A idéia é que, dentro de mais 6 ou 12 meses de negociações, um pacto final possa ser alcançado ainda em 2010. Mas as negociações de Copenhague, após nove dias de discussões, ainda não produziu progressos tangíveis. 

 

Kerry advertiu que profundas preocupações políticas terão de ser vencidas no Senado antes de a nova lei ser aprovada, em algum momento entre março e junho. Ele observou que as dificuldades econômicas dos Estados Unidos podem complicar o debate para uma lei sobre mudança climática. "Para aprovar um projeto, devemos ser capazes de garantir a um senador de Ohio que os trabalhadores de aço em seu Estado não vão perder seus empregos para a Índia e a China [se esses países não forem submetidos a um controle exigente num acordo global]", explicou. 

 

Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kerry defendeu o desenvolvimento de fontes alternativas de energia e redução da dependência do petróleo estrangeiro como forma de segurança nacional. Ele obteve o apoio de um grupo de veteranos de guerra americanos que viajaram para Copenhague.

 

 "Combustíveis sujos, e as alterações climáticas que geram, estão tornando o mundo um lugar mais perigoso", disse Jonathan Powers, um ex-capitão do Exército dos EUA que serviu no Iraque e lidera o Projeto de Segurança Nacional de Truman. Powers disse que as inundações relacionadas ao clima, a fome e as migrações irão resultar em "nações fracas e fracassadas, que se tornarão os refúgios e o recrutamento de bases de extremistas." 

 

Em seu discurso, Kerry também foi além das preocupações com a segurança nacional. "Se (o ex-Vice presidente) Dick Cheney pode argumentar que, mesmo uma chance de 1% de um ataque terrorista, é 100% de justificativa para uma ação preventiva, certamente, quando os cientistas nos dizem que as mudanças climáticas são quase 100% certas, devemos ser capazes de estar juntos e nos unirmos num esforço total para combater uma ameaça mortal para a vida deste planeta".

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