Acordo permite continuidade de caça científica de baleias

Suspeitas de comercialização da cota de caça científica no Japão e na Groenlândia agravam a decisão

Efe

25 Junho 2008 | 17h35

A decisão da Comissão Internacional de Caça às Baleias de manter o "status quo" atual sobre as baleias causou nesta quarta-feira, 25, polêmica entre os que apóiam a medida e os que afirmam que beneficia o Japão, que continuará com a caça científica desses cetáceos.   Veja também: Parte da caça nativa de baleias é comercializada na Groenlândia Mudança climática vai extinguir 30% do habitat das baleias Comissão de Caça às Baleias adia questões controversas  Chile declara banida caça às baleias em suas águas   Os delegados dos cerca de 81 países que participam em Santiago do Chile na 60ª reunião da Comissão acordaram a criação de um grupo de trabalho a fim de pactuar posições entre ambientalistas e caçadores.   O trabalho em consenso significa que não se submeterá a votação qualquer resolução, entre as quais figuram a proposta do Japão para reabrir a caça litorânea de baleias e a de Argentina, Brasil e África do Sul de criar um santuário no Atlântico Sul.   Segundo o estipulado pelo grupo de trabalho, integrado por 24 países e que funcionará a portas fechadas, as propostas serão analisadas nessa instância e os resultados serão apresentados na próxima reunião anual que será realizada em Portugal.   Enquanto os representantes da comissão afirmam que a decisão é "uma oportunidade" para a modernização e reforma da Comissão, criada há 62 anos, os críticos acreditam que o único ganhador é o Japão, que a cada ano caça 1.400 baleias alegando razões científicas.   "Achamos que a Comissão foi uma organização muito confrontadora, que não avançou nos temas e com poucos resultados", disse à Agência Efe o ministro do Meio Ambiente e Energia da Costa Rica, Roberto Dobles.   "Agora se apresentou uma oportunidade para poder avançar e fazer mudanças que possam dar no futuro um enfoque para a preservação", acrescentou.   Ele ressaltou que a iniciativa foi apoiada pela América Latina através do chamado Grupo de Buenos Aires, integrado por Argentina, Belize, Brasil, Chile, Colômbia (observador), Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Peru e Uruguai.   "Estamos diante de uma oportunidade única para modificar uma organização que veio atuando de certa forma com paralisias", disse Dobles, lembrando que a moratória de caça de baleias, com exceção da científica e a de subsistência para comunidades aborígines, continua vigorando.   "Sabemos que as negociações que vêm são complexas", sustentou o ministro costarriquenho, que afirmou, no entanto, ser "otimista".   Segundo outros delegados, a Comissão estava "à beira do colapso" e o consenso obtido em torno de um grupo de trabalho especial pode ser seu salva-vidas.   O representante da Argentina, Miguel Íñiguez, disse à Efe que a reunião de Santiago foi "fundamental, pois após quase 60 anos as partes se sentam para dialogar para ver de que forma podem progredir".   "A Comissão está tentando avançar em direção a um processo de modernização", ressaltou.   "Um grupo de países, que são os conservacionistas, considera que este processo é importante para abrir um diálogo e para não voltar às discussões que se geraram anos atrás", ressaltou Íñiguez.   O responsável argentino destacou que todas as partes cedem quando se buscam acordos, ao lembrar que o Japão não apresentou a proposta de todos os anos para abrir a captura litorânea.   Na sessão, a maioria dos delegados se pronunciou contra a pesquisa letal de baleias com fins científicos.

Mais conteúdo sobre:
baleiasmeio ambiente

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.