Acordo de gigantes pode embasar mercado de carbono na China

Citigroup e Gazprom compraram US$ 73 mil em créditos de carbono de três usinas de energia de Tianjin

Marcílio Souza, AE

09 Fevereiro 2010 | 16h25

O banco Citigroup e a Gazprom fecharam um acordo pequeno, mas pioneiro, que pode lançar as bases para um mercado de comercialização de carbono de alcance nacional na China.

 

Segundo o acordo, o banco norte-americano e a gigante de gás russa compraram créditos de intensidade de energia de três usinas de Tianjin que apresentaram resultados melhores do que as metas de eficiência estabelecidas pela cidade portuária, localizada  perto de Pequim. Com um valor de apenas 500 mil yuan, ou US$ 73.250, as economias de energia foram empacotadas como direito de emissão de carbono que poderá ser vendido para outras usinas ou prédios na cidade que não conseguirem atender as metas municipais.

 

"Vemos o acordo como o início da criação de um mercado de intensidade de carbono na China. Essa é uma transação que possui bastante planejamento e regras", disse o executivo-chefe da corretora de crédito de carbono Arreon Carbon, John Shi. Ele trabalhou em conjunto com o governo de Tianjin e com a Tianjin Climate Exchange, uma joint venture entre a gigante de energia estatal China National Petroleum Corp e a Chicago Climate Exchange.

 

Os arquitetos do acordo disseram que querem usar esquemas de limites e trocas como parte das metas de intensidade de carbono e energia da China. O país tem uma meta nacional de reduzir em 20% a quantidade de energia usada em relação ao tamanho do PIB em 2010 em relação ao nível de 2005.

 

A China também prometeu reduzir a intensidade de suas emissões de carbono em 40% a 45% até 2020 em relação aos níveis de 2005. Como o carvão é a principal fonte de energia do país, as emissões de carbono estão fortemente relacionadas ao uso da energia. A China tem rejeitado propor limites nacionais absolutos, mas algumas cidades estão se movendo mais agressivamente para cortar suas emissões.

 

Outras cidades chinesas estabeleceram trocas de carbono, mas até o momento não há base legal para esse comércio e Tianjin parece estar assumindo a liderança ao atrair investidores de alto perfil, como Citigroup, Gazprom e CNPC.

 

(Com informações da Dow Jones)

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