Acordo climático exige mudança do modelo produtivo, avalia Fiesp

Para reduzir emissões de gases, a chave para o Brasil, segundo a entidade, será o investimento massivo em tecnologia e inovação

Denise Chrispim Marin, Enviada especial

09 Dezembro 2014 | 22h48

LIMA - O acordo de Paris sobre mudança climática, esperado para novembro de 2015, vai exigir completa mudança nas políticas públicas do Brasil para converter o setor produtivo nacional para o modelo de baixo carbono, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

Em poucos anos, acabará a "gordura" do desmatamento, que hoje representa o maior meio de o País cortar as emissões de gases do efeito estufa. A indústria, a agropecuária e o setor de energia terão de contribuir muito mais para cumprir as futuras metas brasileiras, a serem registradas no acordo de Paris. 

Para a entidade, a chave para o País será o investimento massivo em tecnologia e inovação, a partir de mecanismos de financiamento diferentes dos atuais e mais acessíveis aos setores produtivos. Para a Fiesp, mais do que um acordo ambicioso, a 21ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP-21), em Paris, deverá se ater a compromissos factíveis, discutidos previamente com setores privados e com a sociedade para que não venham a ser descumpridos. O governo já conduz esse processo, por meio de consultas públicas.

"Não há como exigir meta ambiciosa para os setores produtivos brasileiros sem financiamento maior e mais acessível à tecnologia", afirmou Marco Antonio Barbieri, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp. "Não à toa, a cooperação tecnológica é um dos pilares do acordo entre Estados Unidos e da China de redução de emissões", completou Rodrigo Lima, gerente-geral do Agroicone.

Marco Antonio Caminha, assessor internacional da Fiesp, explicou que o peso das emissões brasileiras caíram acentuadamente nos últimos anos por causa do combate ao desmatamento. Essa área ainda é alvo do maior parte do esforço do País, em termos de redução de emissões. Nos quatro anos anteriores à adoção do acordo de Paris, em 2020, os setores industrial, energético e agropecuário vão demandar mais e melhores linhas para financiar a inovação de seus parques produtivos e se adequar aos cortes de emissões, que recairão sobre suas chaminés.

Uma das alternativas para o País, salienta Barbieri, seria o estímulo à silvicultura - o cultivo de novas florestas, com finalidade de fornecimento de madeira e celulose ao mercado. A atividade, segundo a Fiesp, tem maior capacidade de captura de carbono da atmosfera do que as velhas florestas. 

Quebra. Nas contas da Fiesp, um compromisso bastante ambicioso por parte do Brasil, como zerar suas emissões de gases, terá enorme e desnecessário impacto sobre a economia e a sociedade. "Quebraria o País sem ajudar na solução do problema", disse Barbieri. Caminha explicou que, como as emissões brasileiras correspondem a cerca de 3% das globais, sua contribuição seria muito pequena para diminuir o total de gases já acumulado na atmosfera. O esforço voluntário brasileiro, agregou, já representou mais do que os países em desenvolvimento fizeram desde a aprovação do Protocolo de Kioto, em 1997.

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